Preços do leite sobem mas desafios permanecem

29-12-2020 11:13:13 Por: Correio do Povo. Foto: Fernando Dias/SEAPDR/CP

Preços do leite sobem mas desafios permanecem
O ano de 2020 chega ao fim com a recuperação de cerca de 20% nos preços pagos aos produtores de leite, mas com margens de lucro menos favoráveis do que em 2019. A alta na cotação não compensou a elevação dos custos de produção para os agricultores e indústrias, segundo o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS). Os desafios que uma nova estiagem impõe, reduzindo a produção de pastagens e de milho na safra 2020/2021, somados às incertezas sobre como ficará o consumo de lácteos no país após o fim do auxílio emergencial dado pelo governo federal tornam as projeções para o novo ano difíceis de serem feitas.

“O que não pode acontecer é o preço para o produtor cair em meio a este cenário de custos altos”, destaca o vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag/RS), Eugênio Zanetti. “Estamos confiantes em um ano mais positivo”, acrescenta o dirigente, afirmando que o ideal seria a oferta interna de lácteos e a demanda se manterem equilibradas, com importação desestimulada pelo câmbio.


O presidente do Conseleite, Rodrigo Rizzo, estima que o primeiro semestre será de manutenção da recuperação dos preços e de valorização dos produtos lácteos. Ele acredita que os valores pagos aos agricultores poderão ser favorecidos a partir de uma eventual disputa pela matéria-prima entre as indústrias, já que muitas delas vêm perdendo parte da captação por conta da saída de produtores da atividade. Em relação ao consumo de leite e derivados, Rizzo entende que o mercado poderá reagir caso ocorra o retorno das aulas presenciais. Por outro lado, prevê impacto negativo nas vendas a partir do fim do auxílio emergencial.

O presidente da Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Estado (Apil), Delcio Giacomini, concorda que a suspensão do benefício criado pelo governo, associado à crise econômica e à época do final de ano e de verão, quando as pessoas reduzem a demanda por lácteos, poderá se refletir em uma queda no consumo. Avalia ainda que o cenário ficou mais nebuloso com a “segunda onda” do coronavírus, que tende a permanecer no início de 2021. Desta forma, sugere que o poder público pense em políticas para o setor, como subsídios aos pequenos produtores e redução da carga tributária.


A desigualdade tributária entre Estados é preocupação também do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat), que aponta dificuldades competitivas para os gaúchos frente aos concorrentes catarinenses, paranaenses e mineiros. O presidente da entidade, Alexandre Guerra, adverte ainda que, em 2021, além de os custos se manterem altos para a indústria e para o produtor, também há uma previsão de aumento da inflação, o que limita o poder de compra da população. “Por mais que os laticínios gaúchos estejam em busca de clientes internacionais, o consumo nacional é essencial para o desempenho geral”, lembra. “O ano de 2021 promete ser de grandes desafios e muitas expectativas”, acrescenta.