Preço do leite em Minas Gerais fecha ano com valorização de 55,14%

05-01-2021 09:46:28 Por: Diário do Comércio

Preço do leite em Minas Gerais fecha ano com valorização de 55,14%
Depois de registrar queda em novembro, os preços do leite reagiram em dezembro. Em Minas Gerais, de acordo com os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no último mês de 2020, referente à produção entregue em novembro, foi verificada alta de 4,56% no valor médio líquido do litro de leite frente ao mês anterior. Com o avanço, o litro foi negociado a R$ 2,11. No ano, o preço do leite no campo ficou 55,14% maior.

Assim como em Minas Gerais, na média Brasil, o preço líquido do leite captado em novembro e pago em dezembro apresentou elevação de 4,05% ou de R$ 0,08 por litro frente ao mês anterior, chegando a R$ 2,12. Conforme os dados levantados pelo Cepea, ao longo de 2020 houve uma significativa valorização dos preços do leite. Em Minas Gerais, no acumulado do ano, os preços subiram 55,14%, saindo de R$ 1,36 por litro em janeiro e chegando a R$ 2,11 em dezembro.


Na média Brasil, o preço ao produtor acumulou alta de 52,3% de janeiro a dezembro de 2020. No ano passado, o valor médio foi de R$ 1,76 por litro, 19,2% acima do registrado em 2019, em termos reais. A nova valorização dos preços recebidos em dezembro é considerada atípica pelos pesquisadores do Cepea, já que nesse período a captação do produto já está maior. Porém, em novembro de 2020, a oferta de leite não apresentou elevação substancial, o que manteve a disputa das indústrias pela matéria-prima no campo bem acirrada.

Os dados do Cepea mostram que, em novembro, o Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) avançou 1,54% em relação ao mês anterior, puxado pelos aumentos de 7,5% em São Paulo e de 4,3% em Minas Gerais. Conforme os pesquisadores do Cepea, ainda que a produção tenha mostrado sinais de recuperação, o incremento não ocorreu na mesma intensidade da procura dos laticínios.

Oferta – A produção ainda limitada no campo é resultado da irregularidade das chuvas e do aumento considerável dos custos de produção, o que tem prejudicado a oferta de leite. Outro agravante para a situação é a valorização da arroba ao longo do ano, que acabou estimulando o abate de fêmeas.

Na maior parte do ano, a demanda pelo leite no mercado final se manteve aquecida, principalmente, pelo pagamento do auxílio emergencial feito pelo governo federal. Porém, de acordo com o Cepea, a grande dificuldade enfrentada pelo setor no final do ano foi na equalização da elevação da matéria-prima com a demanda enfraquecida, sensível aos elevados patamares de preços dos lácteos.


Para este ano, a redução do poder de compra por parte dos consumidores deve continuar impactando de forma negativa os preços, por isso, a tendência é de que os valores em 2021 fiquem menores que os praticados em 2020. Por outro lado, o aumento dos preços dos grãos utilizados na alimentação do rebanho, como a soja e o milho, e os fatores climáticos podem manter a competição entre os laticínios ainda acirrada, em função da oferta limitada de leite no campo ao longo do primeiro trimestre. De acordo com o Cepea, considerando esse cenário, o patamar de preços nos três primeiros meses do novo ano pode operar acima do observado no mesmo período de 2020 (que foi de R$ 1,44 por litro, em termos reais).