Preço do leite pago ao produtor do MT em dezembro apresentou queda de 0,34%

19-01-2021 15:43:26 Por: Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária

Preço do leite pago ao produtor do MT em dezembro apresentou queda de 0,34%
O volume captado do leite é um dos parâmetros mais importantes da pecuária leiteira, pois acompanha a quantidade de matéria-prima entregue às indústrias. Nesse sentido, no acumulado de jan-nov/20 ante o mesmo período do ano anterior, foi possível observar uma queda acentuada de 8,24%, o que correspondeu com o volume total de 32,91 milhões de litros adquiridos em Mato Grosso.

Essa redução, além de ser um ponto de atenção para os atuantes da área, tem sido ocasionada principalmente pela seca mais intensa registrada durante o ano e pela maior destinação das matrizes ao abate. Para se ter ideia, a região médio-norte foi a que apresentou maior queda na quantidade total captada, de -64,59% neste mesmo comparativo. Fatores como a predominância da agricultura na região, somados à alta nas cotações dos grãos como milho e soja, influenciaram na tomada de decisão do produtor em deixar o ramo do leite e destinar suas terras à lavoura.


O preço do leite pago ao produtor em dez.20, referente ao volume captado em nov.20, apresentou decréscimo de 0,34% ante o mês anterior. É a primeira queda registrada após seis meses de alta nas cotações. O índice de captação de leite aumentou 10,77% em relação a out.20. Esse acréscimo está relacionado com a melhora no desempenho das matrizes, visto que o volume das chuvas aumentou.

Nas indústrias, as cotações dos derivados lácteos seguiram pressionadas diante da maior oferta. A exemplo estão o queijo muçarela e o leite UHT, que retraíram seus preços em 4,85% e 10,05%, respectivamente. As exportações brasileiras apresentaram quedas acentuadas de 30,71% ante o mês passado. No entanto, as importações aumentaram 3,16% nesse mesmo comparativo.

Crescimento substancial: o ano de 2020 foi marcado por recordes históricos no preço do leite pago ao produtor, o qual chegou a ser cotado a R$ 1,73/l na praça mato-grossense. Este cenário foi decorrente da menor oferta durante o ano, enquanto o consumo interno cresceu por causa do auxílio emergencial. Porém, na agricultura o movimento foi mais intenso e os reajustes mensais para o preço do milho e farelo de soja foram superiores aos observados no preço do leite.


Nos últimos cinco anos a variação do milho foi de 304%, do farelo de soja, 158%, e a do leite, de “apenas” 123%. Essa valorização nos insumos tem sido decorrente da crescente demanda interna, pautada nas novas usinas de etanol de milho no estado, e externa, uma vez que alguns países como a China têm embarcado volumes cada vez maiores de soja. Diante disso, com a comercialização mais adiantada desses insumos, é preciso atenção dos pecuaristas a esta conjuntura, pois os custos com a suplementação podem aumentar.