Preço médio do leite pago ao produtor de MT recua 5,72%

02-03-2021 11:38:11 Por: Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária

Preço médio do leite pago ao produtor de MT recua 5,72%
Segundo os dados levantados pelo Imea referentes ao custo de produção da cadeia leiteira no estado, foi possível observar que o custo operacional total (COT) apresentou um incremento de 7,16% no comparativo anual de 2020 ante a 2019 e fechou a uma média de R$ 1,04/l em Mato Grosso.

Esse acréscimo foi puxado, principalmente, pelo gasto com a aquisição de animais, que registrou aumento expressivo de 70,22%, no mesmo comparativo, influenciado pelo atual momento do ciclo pecuário, em que a oferta de fêmeas segue restrita no mercado interno. Além disso, com o constante acréscimo nas cotações dos principais insumos, como o milho e o farelo de soja, as despesas com a suplementação animal novamente registraram alta, desta vez de 16,84% ante o ano passado. Em contrapartida, mesmo com o período de seca mais intensa registrada em 2020, os gastos com a manutenção de pastagens perenes recuaram em torno de 9,88%.


Em fev.21, o preço médio do leite pago ao produtor - referente ao volume captado em jan.21 - foi de R$ 1,63/l, recuo de 5,72% no comparativo mensal. Isto porque, além da maior produtividade das vacas em lactação, a demanda interna recuou em Mato Grosso. A captação de leite apresentou acréscimo de 5,87% em relação ao mês passado. O aumento na oferta da matéria-prima foi pautado pelas maiores precipitações no estado.

No mercado atacadista, os preços do queijo muçarela e do leite UHT apresentaram quedas significativas, de -14,68% e -5,03%, respectivamente, no comparativo mensal. Em contrapartida, a manteiga apresentou acréscimo de 6,79%, no mesmo comparativo. Diante de uma demanda interna enfraquecida, as importações brasileiras de lácteos reduziram em torno de 22,12%, ante o mês anterior.


Exportação: em 2020, a balança comercial de lácteos apresentou incremento de 19,10% ante o ano anterior e fechou com um saldo de -492 milhões de dólares - o maior já registrado desde 2016, como aponta o gráfico ao lado. Isto porque, apesar de a seca mais agressiva no país ter diminuído a produtividade das vacas em lactação e enxugado a oferta de leite no mercado, as exportações apresentaram alta de 40,47% no faturamento e de 39,54% em termos de volume. Esse cenário foi influenciado pela alta nas cotações do dólar, que gerou maior valor agregado aos produtos no mercado externo. Já com relação às importações, para atender ao aumento da demanda interna no auge da pandemia, houve um acréscimo de 21,08% no faturamento e de 22,43% no volume importado. Além disso, vale destacar que os principais players de mercado que têm abastecido o Brasil são a Argentina e o Uruguai, que juntos corresponderam com uma participação de 89,77%.