Preços internacionais dos lácteos continuam bastante elevados

18-03-2021 11:47:57

Preços internacionais dos lácteos continuam bastante elevados
No cenário internacional, o ano de 2021 começou com aumentos nos preços das principais commodities lácteas. O leilão Global Dairy Trade (GDT), de 02 de março, registrou aumento de 15% nas cotações dos lácteos, sendo a maior alta desde setembro de 2015. Já no leilão do dia 16 de março houve uma pequena correção nos preços, com queda de 3,8%. Apesar disso, os preços ainda continuam elevados com destaque para o leite em pó integral, cotado a US$ 4.083/tonelada. A elevação dos preços internacionais de commodities e do petróleo, boa demanda chinesa e a oferta mais ajustada na Nova Zelândia foram alguns dos fatores que puxaram essa valorização.

As variações de preços de um mix de commodities do mercado internacional de lácteos são usadas para o cálculo de um indicador, como referência internacional de preço ao produtor. Para fevereiro de 2021, o valor bruto ao produtor ficou em US$ 40,20/100 kg de leite SCM (Solid Corrected Milk, como critério de padronização de sólidos: 4% de gordura e 3,3% de proteína), o que equivale ao valor bruto de R$ 2,23/litro, ao câmbio de R$ 5,55/Dólar. Os custos dos grãos tiveram aumentos significativos a partir setembro de 2020. Em fevereiro, a referência IFCN de custo da mistura a base de milho e farelo de soja (70%; 30%) fechou 42% acima de sua média histórica dos últimos cinco anos. Essa alta de custos está afetando a rentabilidade do produtor e estima-se que o crescimento da oferta mundial de leite em janeiro tenha sido de apenas 1,2%, em relação a janeiro de 2020.


No Brasil, as variações dos preços do leite ao produtor têm tido pouca aderência com as variações do mercado internacional. A figura 1 ilustra a evolução dos preços mensais líquidos ao produtor (CEPEA, com ajuste para SCM) do Brasil em relação ao indicador internacional de preços ao produtor, calculados pelo IFCN (convertidos do Dólar para o Real; de valor bruto para líquido; e, de kg para litro). Todos os valores mensais foram corrigidos pelo IPCA para o mês de fevereiro de 2021. Na média dos últimos cinco anos, o preço real brasileiro foi R$ 1,54 por litro, 12% acima da média internacional, de R$ 1,38 por litro.

Figura 1. Preços líquidos reais mensais do leite ao produtor e médias dos últimos cinco anos. Valores em R$/litro SCM
imagem mostra Preços internacionais dos lácteos continuam bastante elevados
Fonte: Cepea, IEA, Ipeadata e IFCN (Elaborado pela Embrapa).

No ano 2020 observou-se os dois extremos: o primeiro semestre com preços 15% abaixo; o segundo com preços 16% acima dos patamares internacionais; e, fechando a média de 2020 no mesmo patamar do preço internacional. Um evento raro, mas em fevereiro de 2021, a situação se reverteu novamente e o preço líquido do leite SMC brasileiro, de US$ 0,367 por litro, ficou 5% abaixo do indicador internacional, de US$ 0,387.

O custo da mistura milho e farelo de soja (70%; 30%), que nos últimos cinco anos ficou em R$ 1,05/kg na média, foi R$ 1,33/kg em 2020 e fechou em R$ 1,83/kg em fevereiro de 2021, quando o preço (SCM) do leite ao produtor (R$ 1,99/litro) foi 29% acima da média dos últimos cinco anos (R$ 1,54/litro). No caso da mistura, o custo ficou 77% maior, enquanto o produtor viu suas margens 16% acima da média histórica.

Apesar do agravamento da pandemia de Covid-19, com aumento de casos e óbitos, o que tende a reduzir o potencial de crescimento econômico, existem fatores altistas para o preço do leite nos próximos meses: início da entressafra; preços internacionais mais altos reduzindo a competitividade das importações; expectativa de recuperação da economia mundial e brasileira; retorno do Auxílio Emergencial. Além disso, ao acelerar o processo de vacinação, pode-se esperar uma retomada mais rápida do setor de serviços, puxado pelo turismo, eventos, escolas, entre outros.

As informações são do CILeite/Embrapa.