Indicação Geográfica do Queijo do Marajó intensifica os desafios à pesquisa

25-03-2021 10:54:20 Por:

Indicação Geográfica do Queijo do Marajó intensifica os desafios à pesquisa
O queijo do marajó conquistou a Indicação Geográfica (IG), reconhecido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A publicação foi feita nesta terça-feira (23), na Revista de Propriedade Industrial e concede ao produto, genuinamente marajoara e paraense, a indicação de procedência, uma grande vitória dos produtores e do estado do Pará.

O queijo também é o primeiro produto da região Norte a receber o Selo Arte ampliando as possibilidades de mercado ao ser identificado como um queijo artesanal tradicional brasileiro, o que permite sua comercialização em todo o país. Duas conquistas que aumentam a responsabilidade da pesquisa agropecuária no fortalecimento da cadeia da bubalinocultura no Marajó.

A Indicação Geográfica (IG) é a única propriedade industrial coletiva, benefício que se estende a todos os produtores de queijo de leite de búfala, respeitados os padrões que classificam o Queijo do Marajó, situados nos municípios de Cachoeira do Arari, Chaves, Muaná, Ponta de Pedras, Salvaterra, Santa Cruz do Arari e Soure. Locais que integram o Arquipélago do Marajó, mais especificamente, os chamados Campos do Marajó, Microrregião do Arari, Mesorregião Marajó, no Estado do Pará. Ou seja, a partir de agora, só pode ser chamado de Queijo do Marajó, a iguaria produzida nessas localidades.


Adriano Venturieri, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental, comemora esse reconhecimento junto com o estado e defende que o fortalecimento da política da IGs da Amazônia é um importante caminho à valorização dos produtos e da biodiversidade da região. “Essa titulação agrega valor aos produtos, traz renda e desenvolvimento com sustentabilidade em cadeia, pois abraça muito mais que o queijo, mas toda uma cultura regional”, enfatiza Venturieri.
 
Contribuições da pesquisa - A atuação na Embrapa no Marajó é histórica e se baseia na cadeia produtiva do leite de búfala com foco em tecnologias para o melhoramento genético dos animais, aliado às boas práticas em sanidade e alimentação. O Pará possui o maior rebanho bubalino do país, com cerca de 520 mil cabeças, o que representa quase 40% do rebanho nacional. O Marajó se destaca nesse cenário como o maior número de animais, segundo dados da Pesquisa da Pecuária Municipal/IBGE (2018).

Desse contingente, apenas cerca de 5 mil animais do Marajó são dedicados à produção de leite, com produtividade média de 5 quilos/dia por animal e quase 100% da produção destinada à produção de queijo. E é na produtividade que a Embrapa quer impactar a cadeia, conforme explica o pesquisador Ribamar Marques, coordenador do Programa Programa de Melhoramento Genético de Búfalos com Inovação para o Estado do Pará (Promebull). O programa é executado pela Embrapa Amazônia Oriental e se tornou política pública, em 2019, por meio de parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) e a Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa).


O pesquisador comenta que, por meio das tecnologias de boas práticas de manejo animal, manejo alimentar e nutricional, manejo sanitário e melhoramento genético, espera-se até triplicar a produção média de leite por animal exatamente nos municípios beneficiados pela IG. “Com búfalas de genética superior, aumenta a produtividade de leite por animal reduzindo os custos para os produtores familiares que podem ter sua produção e renda triplicada, com um menor número de animais no pasto”, enfatiza Marques.

Desde 2019, o Promebull tem intensificado a aplicação de biotécnicas de inseminação artificial em tempo fixo (IAFT) para garantir diversas linhagens de animais melhorados geneticamente.

Apoio na formulação de políticas públicas - Para além da esfera da atuação da pesquisa e tecnologias para a cadeia bubalina, a Embrapa também tem atuado no fortalecimento de políticas públicas que valorizem o potencial da bioeconomia amazônica. O Promebull é uma dessas experiências que passou de projeto de pesquisa para programa de estado, em 2019.


Outras iniciativas - Em 2016, durante o Festival Internacional do Cacau e Chocolate da Amazônia, foi criado o Fórum Técnico de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas do Estado do Pará, ao qual aderiram 31 instituições, dentre elas a Embrapa, segundo informou Sheila Souza, analista da Embrapa, que representa a instituição junto ao fórum.

Sheila lembra ainda que o Fórum foi um importante articulador para a conquista do IG não apenas do Queijo do Marajó, mas também do cacau do município de Tomé-Açu, primeiro produto do estado a receber a Indicação Geográfica. No caso de Tomé-Açu, o cacau beneficiado é produzido em sistema agroflorestal. "Recentemente, integramos o grupo que elaborou a proposta de decreto que regulamenta o Programa de Indicação Geográfica e Marcas Coletivas do Estado do Pará, e que aguarda a sanção do estado”, complementa.

As informações são da Embrapa. Foto: Ronaldo Rosa.