Preço do leite pago ao produtor recua 2,04% em MG

26-04-2021 10:51:37

Preço do leite pago ao produtor recua 2,04% em MG
Os preços pagos pelo leite em março, referentes à produção entregue em fevereiro, registraram nova queda em Minas Gerais. O litro de leite foi negociado, em média líquida, a R$ 1,95, recuo de 2,04% frente ao mês anterior. No primeiro trimestre, a desvalorização do valor do leite chegou a 4,61% no Estado. A retração nos preços vem agravando a situação dos produtores, que enfrentam aumentos significativos com os custos de produção, principalmente, na alimentação do rebanho. Em março, a alta nos custos ficou em 1,81% e elevou para 8,03% o aumento registrado no primeiro trimestre.

De acordo com o Boletim do Leite Abril 2021, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apesar de a produção ser favorecida pelas chuvas do início do ano, em 2021, a queda da cotação não foi atrelada a uma superoferta de leite, mas, sim, pela retração do consumo. No estudo do Cepea, a pesquisadora da entidade, Natália Grigol, explica que “essa diminuição na demanda se deve à queda no poder de compra do brasileiro, à elevação do desemprego, ao fim do recebimento do auxílio emergencial para muitas famílias e ao agravamento dos casos de Covid-19”.


Apesar da queda, dados preliminares do Cepea apontam para uma tendência de valorização dos preços a serem pagos em abril, referentes à produção entregue em março. A estimativa é de retração na oferta no campo, resultado do início da entressafra do leite e também dos custos elevados da produção.

Normalmente, a partir de março, ocorre redução no volume de chuvas, reduzindo também a disponibilidade de pastagens e prejudicando a alimentação do rebanho e a produção. Neste período de entressafra, que vai de março a agosto, a tendência é de preços mais valorizados.

De acordo com os dados do Cepea, neste ano, essa situação deve ser agravada pela valorização considerável e contínua dos grãos, principais componentes dos custos de produção da pecuária leiteira. As pesquisas mostram perda substancial na margem do produtor. O poder de compra do produtor de leite frente ao milho é o mais desfavorável em dez anos. Em março, o pecuarista precisou de 47,21 litros de leite para a aquisição de uma saca de 60 quilos de milho, 11,93% a mais que em fevereiro. Foi, também, o terceiro mês consecutivo de piora na relação de troca e o momento mais desfavorável ao produtor desde janeiro de 2011.


Com o custo alto, a alimentação dos animais tem sido prejudicada e o abate de vacas estava crescente, já que os produtores estão aproveitando os preços atrativos do mercado de corte. Devido a estes fatores, a oferta de leite no campo deve seguir limitada nos próximos meses, o que contribuirá para a valorização do produto. “Esse movimento de valorização do leite no campo deverá acontecer de forma comedida, sendo possivelmente freado pela demanda fragilizada”, disse a pesquisadora do Cepea, Natália Grigol.

Custo do leite - Enquanto o preço do leite recua no campo, o levantamento feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, unidade Gado de Leite (Embrapa Gado de Leite) mostra que o custo de produção do litro de leite subiu 1,81% em março, elevando para 8,03% a alta acumulada nos primeiros três meses do ano. Nos últimos 12 meses, produzir leite ficou 31,17% mais caro em Minas Gerais.

Segundo o estudo, em março, a maior alta veio da produção e compra de volumosos (7,9%), grupo que tem como um dos itens, por exemplo, a silagem de milho, que é utilizada na alimentação do rebanho. Também pesou a elevação de 3,08% nos custos com energia e combustíveis.


Nos primeiros três meses do ano, a alta de 8,03% foi puxada, principalmente, pela produção e compra de volumosos, que, no período, tiveram o custo alavancado em 16,69%. O custo da alimentação concentrada ficou 6,1% maior. Também foram verificadas altas de 12,23% em qualidade do leite, de 5,92% em energia e combustíveis, de 5,45% em mão de obra e de 1,81% em sanidade.

Os gastos com a alimentação do rebanho acumulam altas expressivas nos últimos 12 meses. Somente em alimentação concentrada, a elevação chegou a 57,03%. Em produção e compras de volumosos, o reajuste ficou em 30,02%. Também pesou o gasto com qualidade do leite, que subiu 19,66%. Em energia e combustível, a variação positiva foi de 13,73%.

As informações são do Diário do Comércio. Foto: José Fernando Ogura/AEN.