Alimentos passam por regulação no País

17-08-2021 11:06:25 Por: Diário do Comércio. Foto: Divulgação / Vida Veg

Alimentos passam por regulação no País
Alimentação saudável, ideologia de vida, novos sabores. Diversas são as motivações para a crescente adesão aos alimentos plant-based no Brasil, como são conhecidos os produtos feitos à base de plantas, conforme tradução literal. Por isso, esse movimento não poderia passar despercebido: em recente pesquisa realizada pelo Good Food Institute (GFI), 39% dos entrevistados afirmaram que alternativas vegetais já fazem parte de, pelo menos, três refeições semanais.

Ainda conforme dados do estudo “O consumidor brasileiro e o mercado plant-based”, que entrevistou 2 mil pessoas entre 11 e 20 de maio de 2020, 49% dos participantes da pesquisa compartilharam que estão reduzindo o consumo de proteínas animais. Em 2018, em pesquisa realizada também pelo GFI – e o Snapcart – essa porcentagem era de 29%. Além disso, o GFI identificou que os respondentes pertenciam às classes AB e C.

Para além do preenchimento das gôndolas dos supermercados, os produtos plant-based estão agora no centro de um debate sobre a regulação dessa categoria de alimentos. Em junho deste ano, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) iniciou diálogo junto à sociedade por meio da tomada pública de subsídios sobre os produtos processados de origem vegetal.

De acordo com a pasta, por se tratar de um tema sensível às nações, e que impacta a saúde e bem-estar da população, além da economia, a categorização dos alimentos é uma importante ferramenta para fixar parâmetros de harmonização à relação de produção e comércio dos produtos e, ainda, oferecer aos consumidores todos os instrumentos para escolher os produtos.

Para o advogado especialista em direito à alimentação e regulação do mercado, Gerardo Figueiredo Junior, a regulação específica da categoria dos plant-based irá cumprir, na prática, esse objetivo de levar mais informações e segurança para o consumidor.

“Quando nós falamos de um produto que tem potencial para substituir outro alimento, precisamos garantir o direito do consumidor de saber o que ele está comendo. Nós já estamos percebendo que esses alimentos têm aceitação, agora precisamos que a finalidade de consumo esteja clara para todos”, afirma Gerardo.


Em resposta pública à tomada de subsídios do Mapa, a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) manifestou “posição contrária à apropriação indevida das denominações carne e leite pelos produtos integralmente vegetais”. Isso porque, segundo a associação, os termos são destinados “exclusivamente a produtos de origem animal” e podem representar “propaganda enganosa” perante aos consumidores.

Em referência à discussão sobre as nomenclaturas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento afirmou que esse é “um dos principais pontos que estão sendo discutidos a respeito do comércio e rotulagem” dos produtos plant-based, o que reforça a importância da tomada pública de subsídios como um espaço democrático para dirimir a questão.

“Apesar de sua constituição estritamente vegetal (os produtos), apresentam características sensoriais semelhantes aos produtos de origem animal, como carne e leite. Portanto, espera-se que a definição conceitual normativa possa equacionar esta questão e, assim, estabeleça um pilar central para a coexistência harmoniosa de produtos, indistintamente de sua natureza”, divulgou em resposta ao tema.

Ainda de acordo com a diretora de campanhas da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Alessandra Luglio, os consumidores que optam por produtos plant-based têm clareza sobre o que estão buscando. “Ele (o consumidor) não vai comprar por equívoco um hambúrguer vegetal pensando que é de origem animal. A nomenclatura é só para designar, é para mostrar ao consumidor o que ele pode fazer com aquele alimento”, observa Luglio.


Oportunidades no cenário mundial - Ainda segundo projeções do especialista, a regulação pode colocar o Brasil na ponta do mercado do plant-based. “Nós estamos vivendo um momento importante no País, porque hoje somos um dos principais produtores de alimentos do mundo. Com a regulação do mercado, as empresas terão mais tranquilidade e segurança para investir e inovar em produtos, já que as normas mostram o que pode ou não. A tendência é que o plant-based ganhe ainda mais relevância e sejamos grandes exportadores”, aponta Gerardo.

O diálogo junto ao Mapa sobre a regulação dos alimentos à base de plantas é considerado pela SVB o início do entendimento de que esse consumo já não é mais tendência, mas uma realidade. “Nós vemos esse movimento do órgão regulador com muito bons olhos. A categoria é crescente e a não regulação gera incertezas. As empresas precisam de parâmetros para seguir e adequar a composição dos alimentos”, afirma Alessandra Luglio.

Empresa mineira aposta em segmento - Em 2015, quando o diretor-executivo e sócio da Vida Veg, Anderson Rodrigues, criou a empresa de leites vegetais, iogurtes, requeijões e queijos veganos, o objetivo era suprir uma necessidade que ele, enquanto pessoa física, tinha de encontrar produtos de origem vegetal com sabor atrativo.

Baseada nos pilares sabor, saúde e sustentabilidade, a empresa, com sede em Lavras, hoje tem uma cartela de 30 produtos e vê o crescimento de uma demanda que não é majoritariamente do público que exclui de forma definitiva e integral produtos de origem animal da dieta.


“Hoje, a maior parte dos consumidores da Vida Veg não é formada por pessoas vegetarianas ou veganas, mas aqueles que buscam alimentação mais saudável. Cada vez mais as pessoas se informam sobre os alimentos que estão consumindo. Esse também é um mercado para quem tem alergia à proteína do leite ou intolerância à lactose e é um mercado para todos no sentido de que produtores rurais também podem expandir seus negócios para atender outros públicos. O objetivo sempre será oferecer escolhas às pessoas”, afirma Anderson Rodrigues.

Ainda sobre a regulação dos alimentos à base vegetal, o diretor-executivo da Vida Veg acredita que esse é o caminho para que as empresas brasileiras, que já operam para suprir a demanda do mercado, tenham mais competitividade internacional e tributação e subsídios mais equiparados com outros alimentos de origem animal. Semelhantemente, a SVB acredita em uma coexistência dos produtos no mercado.

“Os produtos vegetais estão crescendo por vontade do consumidor. E se o segmento oferece mais produtos atendendo aos diferentes perfis, é uma forma de olhar o mercado com mais inclusão. Por isso, o que existe é a simultaneidade de ofertas e a possibilidade de o consumidor refletir sobre os impactos de suas escolhas alimentares na própria saúde, sociedade e meio ambiente”, declara Alessandra Luglio.

As informações são do Diário do Comércio. Foto: Divulgação / Vida Veg.