Preço do leite ao produtor em MG aumenta 21,13% em 1 ano

13-09-2021 11:18:08 Por: Diário do Comércio

Preço do leite ao produtor em MG aumenta 21,13% em 1 ano
O tempo seco e as geadas impactaram de forma negativa na oferta de leite e contribuíram para mais uma alta no preço pago ao produtor em Minas Gerais. A valorização, no Estado, chegou a 2,49% em agosto, referente à produção entregue em julho, com o litro negociado, em média, a R$ 2,35. Na comparação com agosto de 2020, o litro do leite acumula alta de 21,13%. Mesmo com a alta, a situação do produtor continua preocupante, uma vez que os custos estão bastante elevados. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A pesquisadora do Cepea, Natália Grigol, explica que mesmo com a demanda fraca e com os resultados negativos do mercado de lácteos em julho, a indústria não conseguiu impor queda de preços no campo. “O clima adverso e as recentes geadas intensificaram a restrição de oferta entre julho e agosto, aumentando a insegurança dos agentes em relação aos volumes de captação. As indústrias, focadas em manter seus market shares, acirraram a competição pela compra de matéria-prima, mantendo o movimento de valorização no campo”.


Na média Brasil, o preço do leite captado em julho e pago ao produtor em agosto subiu 2,1% em relação ao mês anterior, chegando a R$ 2,35 por litro. “Trata-se, portanto, de um novo recorde real da série histórica do Cepea, que se iniciou em 2005. O valor de agosto é 11,7% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, também em termos reais”.

Em Minas Gerais, que é a principal bacia leiteira do País, a valorização superou a média nacional, chegando a 2,49% em agosto frente a julho. Em comparação com igual mês do ano passado, a alta no litro é de 21,13% uma vez que o litro em agosto de 2020 era negociado a R$ 1,94.

A valorização do litro de leite é importante para o setor que enfrenta custos elevados. Com a seca e a menor oferta de pastagem, aumentou o uso de ração, composta por milho e soja, grãos que estão com ofertas restritas e preços valorizados. Outro insumo que registrou alta considerável no preço foi o adubo, de quase 8% em julho, devido ao aquecimento na demanda.


Pesquisa feita pelo Cepea mostra que o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira cresceu quase 13% na média Brasil de janeiro a julho, enquanto a receita subiu 6% no mesmo período.

“É importante destacar que o aumento nos preços do leite no campo não significa garantia da rentabilidade do produtor. Isso porque os custos de produção também registram intenso movimento de alta, especialmente neste momento em que o clima desfavorece a atividade leiteira”.

Mercado spot - A restrição de oferta de leite e o aumento da concorrência das indústrias para a compra de matéria-prima em agosto resultaram em aumento de 0,8% no preço do leite spot negociado em Minas Gerais, que atingiu média mensal de R$ 2,54 por litro.

De acordo com o Cepea, com estoques limitados e margens apertadas, as indústrias de laticínios forçaram o repasse da valorização da matéria-prima ao consumidor e conseguiram impor, junto aos canais de distribuição, ligeiras altas de preços para o leite UHT e o queijo muçarela.


O repasse ao consumidor, que segue com as compras retraídas em função da perda da renda e dos preços elevados, aconteceu devido às expectativas mais positivas em relação à demanda. O retorno às aulas presenciais e o avanço da vacina contra o Covid-19 são fatores que podem estimular o mercado de lácteos.

“É preciso alertar que, apesar das melhores expectativas para o PIB nos próximos trimestres, o País ainda enfrenta um cenário macroeconômico complicado, com aumento da inflação e continuidade da pandemia, e instabilidade climática. Esses fatores desafiam não só os investimentos dentro da porteira, que estão associados à oferta, como também dificultam a previsibilidade da capacidade da demanda em absorver altas consecutivas na prateleira”, explicou Natália.

As informações são do Diário do Comércio.