Com baixa oferta interna, importação de lácteos cresce e déficit da balança aumenta

21-09-2021 14:28:39 Por: Munira Nasrrallah e Juliana Santos, Boletim do leite Cepea

Com baixa oferta interna, importação de lácteos cresce e déficit da balança aumenta
A oferta limitada de leite no campo elevou as importações de lácteos em agosto pelo quarto mês consecutivo. Foram adquiridas externamente 10,1 mil toneladas, avanço de 4,7% sobre o volume de julho, mas 44% abaixo das importações de agosto de 2020, o que, por sua vez, se deve ao alto patamar do dólar.

De acordo com os dados da Secex, as compras de leite em pó representaram metade do volume total importado pelo Brasil, somando 5 mil toneladas, 3,5% acima do adquirido em julho/21. Porém, em um ano, observa-se forte queda de 60% nas importações desse produto, o que pode estar atrelado ao preço, que subiu 25,4% entre agosto/20 e agosto/21, indo para US$ 3,42/kg. Também em um ano, as compras brasileiras de leite em pó no Uruguai caíram 65% e na Argentina, 55%.


Com participação de quase 30% do total importado, as aquisições de queijos somaram 2,7 mil toneladas em agosto/21, volume 2,6% superior ao de julho/21, mas 0,4% inferior ao de agosto/20. A Argentina e o Uruguai – que, juntos, forneceram 98% de queijos – comercializaram o produto na média de US$ 5,21/kg em agosto/21, valor 27% acima do verificado no mesmo mês de 2020.

Já quanto às exportações, foram 3,2 mil toneladas de lácteos embarcadas pelo Brasil em agosto, queda de 13,6% em relação ao mês anterior, mas aumento de 8,2% sobre o de agosto de 2020. A baixa oferta interna resultou em queda nas vendas externas de derivados, com exceção do leite pó.


Inclusive, o leite em pó foi o principal lácteo exportado em agosto, totalizando 825 toneladas, volume 61% superior ao de julho/21 e bem acima do escoado em agosto de 2020. O principal destino do lácteo foi a Argélia, que recebeu 91% da quantidade exportada pelo Brasil. O valor médio de comercialização do leite em pó foi de US$ 3,29/kg.

BALANÇA COMERCIAL – Com alta nas importações e queda nas exportações, o déficit na balança comercial cresceu em agosto pelo quarto mês seguido, totalizando US$ 29,5 milhões, alta de 9% sobre o de julho. Em volume, o déficit foi de 6,9 mil toneladas, 16,1% acima do de julho.