Produtores de leite investem na diferenciação do produto, com vistas a melhorar a rentabilidade

24-09-2021 10:40:39 Por: Secretaria de Agricultura de São Paulo

Produtores de leite investem na diferenciação do produto, com vistas a melhorar a rentabilidade
Não é de hoje que pequenos e médios produtores de leite questionam sobre a rentabilidade e sustentabilidade de sua atividade. “Com margens cada vez mais estreitas e com comercialização de um produto que é uma commodity, se diferenciar no mercado é quase uma obrigação”, enfatiza a médica veterinária Cheila Massiere Duarte, responsável pela Casa da Agricultura de Laranjal Paulista, da área de atuação da CATI/CDRS Regional Botucatu.

O leite é um alimento rico em proteína e carboidrato, sendo considerado o principal alimento fonte de cálcio para a nutrição humana. “A evidência direta mais antiga do consumo de leite é do período neolítico, cerca de 6.000 anos atrás. O primeiro animal domesticado foi a vaca, seguida da cabra e, posteriormente, da ovelha. Com o tempo, esse precioso alimento foi sofrendo transformações. O leite era muito difícil de se conservar e, portanto, era consumido fresco ou em forma de queijo. Com o passar dos anos, foram sendo desenvolvidos outros laticínios, como a manteiga, a coalhada e o leite fermentado. O leite faz parte da nossa história, da nossa evolução e é, ainda, a principal renda de muitos produtores familiares”, conta Cheila, uma apaixonada pela pecuária leiteira e por outras atividades desenvolvidas, em especial, por pequenos produtores familiares.

Para o produtor José Alcindo e sua esposa Sandra, que sempre tiraram o sustento do leite, a busca por melhorias porteira adentro trouxe bons resultados, fruto do esforço empregado dia a dia. O casal, que produz leite há gerações, vem participando de capacitações e investindo na sanidade do rebanho. Após ser sensibilizado por ocasião de um curso promovido pela CATI/CDRS sobre qualidade de leite, se envolveram com determinação na implementação de melhorias e no controle da mastite, especialmente a mastite contagiosa, uma doença silenciosa que traz grandes perdas de produtividade e altera significativamente a qualidade do leite. “Uma série de manejos foram ajustados, como manejo de ordenha, uso de produtos de pré e pós-dipping certificados, uso de protocolos adequados de tratamento e, quando necessário, descarte de animais que apresentavam mastite recorrente e eram fonte de infeção para os demais. Além disso, o monitoramento da saúde da glândula mamária tem sido feito mensalmente e amostras de leite individual de vaca são enviadas para análise individual de CCS. A última novidade foi a implantação, em parceria, de acompanhamento da saúde da glândula mamária logo após o parto e para o cultivo em placa de animais que apresentem mastite clínica ou reação ao teste CMT. Com isso, se tem um diagnóstico preciso e rápido para intervenção. O produtor já colhe os frutos do seu investimento, com animais saudáveis e bonificação no preço do leite em função da oferta de um produto com qualidade superior à média do mercado”, enfatiza a médica veterinária.


Na mesma vizinhança do produtor Alcindo, encontram-se Oscar Renosto e Nanci, outra família que também tem como atividade principal o leite. O casal, sempre caprichoso e empenhado, resolveu investir no beneficiamento de parte da produção e agregar mais valor ao produto. O projeto de processamento do leite começou bem pequeno, sendo um hobby de dona Nanci, que produzia principalmente para familiares e amigos. A aceitação foi grande e dona Nanci foi nutrindo o sonho de construir uma área de beneficiamento e se regularizar junto ao SIM (Sistema de Inspeção Municipal) do município. O projeto foi criando corpo e, recentemente, conseguiram formalizar a adesão ao SIM. Todo o processo foi acompanhado desde o início por Cheila. Entre os produtos ofertados estão: queijo frescal, doce de leite e iogurte de frutas. “Tudo tem um toque artesanal e de muita qualidade”, frisa a médica veterinária e também consumidora dos produtos.

Já em outras bandas, na cidade de Bofete, também de área de atuação da CATI/CDRS Regional Botucatu, fica o sítio Vale do Sol, propriedade de Antônio Possebon. Possebon é um apreciador de queijos, especialmente os maturados. Por anos, fez testes até chegar à atual receita, um sucesso de vendas na região. “Em paralelo ao desenvolvimento tecnológico do seu produto, o produtor sempre se preocupou em regularizar seu empreendimento, ter um local aprovado, oferecer um produto inspecionado e certificado”, lembra a veterinária Cheila, que o acompanhou em visita às outras instalações, inclusive no Estado de Minas Gerais. Hoje, o produto conta com o SIM e a Queijaria Possebon tem funcionado a todo vapor. Antônio já pensa nos próximos passos e pleiteia conseguir um selo de inspeção que o permita ofertar para outros municípios como o Sisp (Selo de Inspeção do Estado de São Paulo) ou SIF (Selo de Inspeção Federal), o qual permite a comercialização em outros estados da Federação ?bem como ampliar a produção.


Cheila costuma argumentar que “os desafios do agro são constantes, com mudanças climáticas afetando produção de grãos e alimentos; preços elevados de insumos; e constantes novas exigências a serem cumpridas. Mas como diz o ditado, ‘se temos limão, vamos fazer uma limonada’, então não podemos ficar limitados a só enxergar os problemas e as cobranças, podemos superá-los e gerar novos caminhos e soluções”, diz a técnica, destacando que resultados superiores à média são alcançados com planejamento, esforço e coragem. “A verdade é que respiramos o agro e temos uma história ligada ao campo. O campo não pára e produtores inovadores estão sempre buscando novos caminhos”.  E essa é a receita da extensionista, que já passou por outros municípios e estados, mas, ao fazer o concurso da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, escolheu São Paulo para viver e praticar extensão rural na CATI/CDRS, órgão que há tempos já conhecia como profissional do agro.

As informações são da Secretaria de Agricultura de São Paulo.