Concorrência eleva preço pago pelo leite em MG

06-10-2021 10:56:49 Por: Michelle Valverde, Diário do Comércio. Foto: Nacho Doce, Reuters

Concorrência eleva preço pago pelo leite em MG
As adversidades climáticas e os custos elevados estão limitando a produção de leite em Minas Gerais. Com a oferta ajustada à demanda e a disputa entre as indústrias, o preço do leite apresentou nova alta em setembro, referente à produção entregue em agosto. Apesar do aumento, o reajuste não tem significado maior rentabilidade para o produtor, que convive com elevações expressivas nas despesas de produção.

No último mês, o pecuarista de leite mineiro recebeu, em média líquida, R$ 2,41 pelo litro do alimento, aumento de 0,73% frente a agosto. No confronto com setembro de 2020, a valorização no preço do leite é de 12,09%. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

No relatório do Cepea, a pesquisadora Natália Grigol explica que o aumento das cotações do leite ocorre em função da demanda acirrada das indústrias pelo produto. Devido ao aumento dos custos, a produção não tem reagido de maneira que haja equilíbrio entre a oferta e a demanda. 


“A valorização no campo está atrelada justamente às intensas altas nos custos de produção. Dados do Cepea mostram que o custo operacional efetivo da atividade registrou expressivo avanço de 14% desde o início deste ano. Num contexto de adversidade climática, em que a estiagem prejudica a alimentação volumosa do rebanho, a elevação dos custos de produção, sobretudo dos insumos ligados ao manejo nutricional (como concentrado e suplementação mineral), tem desestimulado investimentos na atividade e, consequentemente, impedido um ajustamento rápido da oferta à demanda”, detalhou.

Assim como em Minas Gerais, na média Brasil o preço do leite também aumentou. Em setembro, referente à produção entregue em agosto, o avanço ficou em 1%, com o preço médio em R$ 2,382 por litro.

Cautela nas expectativas - Em relação ao mercado do leite e dos derivados, as expectativas são cautelosas. Com os preços mais elevados e menor poder de compra das famílias, o consumo não reagiu, o que tem provocado queda nos valores praticados no varejo.

“A demanda por lácteos não se recuperou como previsto e as negociações estão enfraquecidas desde a segunda quinzena de agosto. Com a matéria-prima mais cara e com dificuldades em realizar o repasse da alta no campo ao consumidor, as indústrias de laticínios têm intensificado a concorrência na venda de derivados. A pressão dos canais de distribuição tem resultado em desvalorização dos lácteos, prejudicando a capacidade de pagamento dos laticínios”, explicou Natália.

Uma nova valorização dos preços do leite também dependerá do impacto das importações do produto. “Além da demanda enfraquecida, o aumento das importações pode frear o movimento de valorização do leite ao produtor no próximo mês. Porém, tudo irá depender das condições climáticas e do volume de chuvas no período”.


De acordo com os dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – unidade Gado de Leite (Embrapa Gado de Leite), para o pagamento de outubro, os Conseleites divergiram nas indicações, mas com uma média sugerindo certa estabilidade no preço do leite. Para Minas Gerais a tendência é de alta de 1,3% na cotação do leite, no Rio Grande do Sul é esperada queda de 1,97%. Santa Catarina e Paraná devem ficar próximos de zero.

Regiões - Em Minas Gerais, foram registradas altas nos preços do leite na maioria das regiões pesquisadas. Somente na Zona da Mata houve recuo de 0,4%, com o litro de leite cotado, na média líquida, a R$ 2,26. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o litro foi negociado a R$ 2,36, variação positiva de 2,51% frente ao valor pago em agosto.

No Sul/Sudoeste, a alta ficou em 1,09% e o pecuarista recebeu R$ 2,43 por litro negociado. Avanço também foi registrado na região do Rio Doce, 1,24%, com o litro cotado a R$ 2,26. No Triângulo/Alto Paranaíba o incremento foi de apenas 0,14% e a média encerrou setembro a R$ 2,46 por litro de leite.

As informações são do Diário do Comércio.