Nova safra mineira de grãos deve ter crescimento de 9,5%

08-10-2021 10:14:40 Por: Michelle Valverde, Diário do Comércio.

Nova safra mineira de grãos deve ter crescimento de 9,5%
Após um ano de perdas em função das adversidades climáticas, a safra de grãos 2021/22, em Minas Gerais, voltará a crescer. A previsão é de uma colheita em torno de 16,8 milhões de toneladas, volume 9,5% superior às 15,3 milhões de toneladas geradas na safra 2020/21. Entre os principais produtos estão o milho primeira safra, cujo volume deve crescer 3,7%, e a soja, com produção estimada em 7 milhões de toneladas, pequena variação positiva de 0,3%. Os dados foram divulgados ontem pelo 1º Levantamento da Safra de Grãos 2021/2022 elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em relação à área, a tendência é de um aumento de 1,3%, com o plantio ocupando 3,89 milhões de hectares. É esperada também recuperação da produtividade, que pode alcançar 4,3 toneladas por hectare, alta de 8,2%. O plantio, em Minas, ainda não foi iniciado. 

No País, a safra de grãos deve crescer 14,2%, com uma produção total em torno de 288,61 milhões de toneladas, atingindo um novo recorde. A superintendente de Informações da Agropecuária, Candice Santos, explica que este é o primeiro levantamento da safra de grãos e, como a maior parte das regiões produtoras ainda não iniciou o plantio, as estimativas são baseadas em dados históricos e estatísticos.


“Para o ano safra 2021/22, a previsão é que o aumento da produção esteja relacionado à expansão da área e à estimativa de produtividade maior. Estamos dentro do calendário da semeadura e produtores estão esperando a regularização das chuvas para iniciar o plantio. Normalmente, a semeadura ganha volume na segunda quinzena de outubro”, disse.

Ambiente favorável - O diretor de Política Agrícola e Informações da Conab, Sergio De Zen, ressaltou que as estimativas são positivas e que o Brasil tem a possibilidade de obter grande sucesso com a safra 2021/22 de grãos.

“O produtor vai plantar diante de ambiente favorável em termos econômicos e com expectativas favoráveis. No entanto, é importante ficar atento aos fatores climáticos. Temos um clima com certa instabilidade pela La Ninã. Não é o fim do mundo, mas também não é um ano de clima normal. As janelas de plantio são estreitas, então as variáveis de clima e de mercado precisam ser observadas. O produtor precisa se proteger do que é possível, fazer antecipações, seguro”, explicou.

Em relação ao plantio da nova safra, a tendência é de que os mineiros iniciem o processo ao longo da segunda quinzena de outubro, período em que é esperado maior volume e regularidade das chuvas.


Milho em destaque - Neste ano-safra, a produção de milho será destaque. Para o primeiro período produtivo, a estimativa é de uma colheita de 5,2 milhões de toneladas, aumento de 3,7% sobre o mesmo período da safra anterior.  A área deve permanecer estável e girar em torno de 819 mil hectares. É esperado avanço de 3,7% na produtividade, com rendimento médio de 6,4 toneladas por hectare.  

Após uma queda intensa na segunda safra de 2021, a estimativa é de recuperação, com a produção de milho subindo 56,8% no período e girando em torno de 3 milhões de toneladas. Com o resultado das duas safras, a produção total do cereal, no Estado, pode ficar 18% maior na safra 2021/22 e chegar a 8,3 milhões de toneladas.

Segundo o superintendente de Inteligência e Gestão da Oferta da Companhia, Allan Silveira, para 2022, a tendência é de recuperação da oferta do produto no mercado interno. “O mercado do milho vem se mantendo aquecido, apesar de em setembro ter apresentado recuo nos preços, o que era esperado pela colheita da segunda safra. A tendência para 2022 é de aumento significativo da produção e recuperação dos estoques do grão, principalmente, a partir de maio e junho de 2022 com a colheita da segunda safra”, afirmou.

Soja deve manter valorização mesmo com volume maior - No caso da soja, a tendência é de leve alta na produção, de 0,3%, com a colheita estimada em 7 milhões de toneladas. A área a ser plantada foi calculada em 1,8 milhão de hectares e a produtividade em 3,7 toneladas por hectare, ambas estáveis à safra anterior.  No Brasil, a estimativa é de aumento de 2,5% e colheita de 140,7 milhões de toneladas.


“A demanda pela soja está forte e os estoques baixos. Mesmo com a tendência de aumento da produção, o consumo também tende a avançar, mantendo os preços valorizados”, disse o superintendente de Inteligência e Gestão da Oferta da Conab, Allan Silveira.

Resultado positivo também é esperado na produção de algodão em caroço. A tendência é de que a produtividade se recupere e chegue a 4 toneladas por hectare, alta de 9%. A produção está estimada em 135,1 mil toneladas, variação positiva de 14,1%. A área tende a crescer 4,6%, chegando a 33,3 mil hectares. “Para este ano, em relação ao algodão é esperada recuperação da área e também da produtividade, que em 2020/21 foi prejudicada pela estiagem”, explicou a superintendente de Informações da Agropecuária, Candice Santos.

Elevação também é estimada para a produção de feijão. De acordo com a Conab, a produção total em Minas Gerais pode chegar a 546,8 mil toneladas, 3,3% a mais. Somente na primeira safra de feijão, a produção tende a crescer 7,8%, com a colheita de 242 mil toneladas. A área, 176,8 mil hectares, ficará 16,7% superior. Já a produtividade pode recuar 7,6%, com rendimento de 1,3 tonelada por hectare. Na segunda safra, a produção de feijão pode somar 125,8 mil toneladas, e na terceira, chegar em 178,9 mil toneladas, ambas estáveis.

As informações são do Diário do Comércio.