Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos discute enfermidade que impacta rebanhos leiteiros

21-10-2021 10:08:12 Por: Adriana Brandão, Embrapa Caprinos e Ovinos

Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos discute enfermidade que impacta rebanhos leiteiros
A Micoplasmose de pequenos ruminantes, em especial a Agalaxia Contagiosa, foi um dos temas discutidos na última reunião da Câmara Setorial de Caprinos e Ovinos, do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA). A enfermidade, que impacta diretamente na produtividade dos rebanhos leiteiros e traz grandes prejuízos econômicos, tem preocupado os criadores principalmente no estado da Paraíba.

O aumento da procura para tratamento para a Agalaxia Contagiosa pode estar ocorrendo, segundo os pesquisadores, em função das formas de comercialização dos animais e implantação de programas de melhoramento de rebanhos sem os devidos cuidados sanitários.

O chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos, Marco Bomfim, sugeriu que, a curto prazo, sejam realizadas, em parceria com instituições de assistência técnica e extensão rural, capacitações para técnicos com as recomendações sobre prevenção e controle. “Mobilizando os técnicos, faremos chegar aos produtores informações qualificadas sobre a doença”, afirmou.


Durante a reunião, que ocorreu de forma remota, integrantes da equipe de sanidade animal da Embrapa Caprinos e Ovinos apresentaram uma Nota Técnica sobre a doença com resultados do trabalho de mapeamento das principais enfermidades infecciosas em rebanhos caprinos e ovinos nos estados da Paraíba, Pernambuco e Bahia.

De acordo com os pesquisadores Rizaldo Pinheiro e Selmo Alves, a doença  está disseminada no país há cerca de 20 anos, principalmente no Nordeste, mas também é encontrada em rebanhos de outras regiões. Na Paraíba, foi diagnosticada em 12,1% (81/672) dos animais;  58,3% (21/36) dos rebanhos; e 78,6% (11/14) dos municípios pesquisados. Os cientistas ressaltam que a prevalência pode ser ainda maior, em função de casos de infecção crônica dos animais, geralmente, induzir uma resposta imune mais fraca, o que reduz a capacidade de detecção dos testes de diagnósticos sorológicos.

A professora Melânia Loureiro, da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), afirma que há 16 anos trata de animais com a enfermidade com sucesso, utilizando bioterápicos mas ainda há dúvidas que não consegue responder. Ela enfatiza que a luta pelo controle e combate à doença passa pela conscientização dos produtores sobre o uso de antibióticos. “Os antibióticos são inúteis no tratamento da enfermidade, mas mascaram os sintomas. Os criadores acabam utilizando para venderem os animais em feiras e exposições, o que ajuda a disseminar a doença”, explica.


Mapeamento de doenças acontece no âmbito do Programa AgroNordeste - O mapeamento das principais enfermidades infecciosas em rebanhos caprinos e ovinos em alguns estados do Nordeste está sendo feito no âmbito do Programa AgroNordeste e visa gerar subsídios para direcionar políticas públicas na área de defesa sanitária e fortalecer o Programa Nacional de Sanidade de Caprinos e Ovinos (PNSCO) do MAPA.

O programa AgroNordeste é uma iniciativa coordenada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que conta com participação da Embrapa, em parceria com o Projeto Dom Helder Câmara (PDHC) e financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). O programa atua em polos produtivos do Semiárido brasileiro, com objetivo de promover a inovação por meio da disseminação de conhecimentos e tecnologias voltadas para a realidade local.

As informações são do Embrapa Caprinos e Ovinos.