Minas pode ter safra recorde de grãos

12-11-2021 09:47:07 Por: Sandra Carvalho, Diário do Comércio. Foto: Abiove/Divulgação

Minas pode ter safra recorde de grãos
Com chuvas mais regulares, bom andamento do plantio, principalmente nas culturas de soja e milho, e aumento de área e produtividade, Minas Gerais deve atingir uma colheita recorde de grãos na safra 21/22.

A previsão é a de que a produção do Estado chegue a 17,24 milhões de toneladas na safra atual, crescimento de 11,6% em relação à safra anterior (15,44 milhões de toneladas). É o que apontou o 2º Levantamento da Safra de Grãos 21/22, divulgado ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O aumento da produção de grãos em Minas Gerais é resultado de um crescimento de 3,5% da área plantada no Estado, passando de 3,84 milhões de hectares na safra 20/21 para 3,97 milhões na safra 21/22. Outro fator também importante para a projeção é a expectativa de uma produtividade 7% maior nas lavouras, passando de 4,017 toneladas por hectare, para 4,332 t/ha em 21/22.

Segundo especialistas da Conab, diferentemente do ciclo passado, o clima deve favorecer o desenvolvimento das lavouras no Estado, com um novembro mais chuvoso que na safra anterior. E probabilidade de chuva normal ou acima da média no Sul de Minas. Apenas o Centro-Norte do Estado pode registrar chuvas abaixo do normal.

No País, a expectativa de colheita é de 289,78 milhões de toneladas de grãos, um avanço de 14,8% ante o ciclo anterior, o que também representa um recorde. Em relação à área plantada, a expansão foi de 3,4%, passando de 69,4 milhões de hectares na safra anterior para 71,8 milhões no ciclo 21/22. Já a produtividade nacional prevista neste segundo levantamento é de 4,034 t por hectare, aumento de 10,9% em relação à safra anterior.

Soja - A safra de soja do Brasil foi estimada no levantamento da Conab em um recorde de 142 milhões de toneladas, com uma revisão para cima na área plantada. Se for confirmada a projeção, a safra de soja do maior produtor e exportador global da oleaginosa deverá crescer 3,4% ante o ciclo 2020/21.

A expectativa é de um plantio de 40,3 milhões de hectares no País. Esse aumento de área se deve ao preço atrativo da commodity, motivado pela alta do dólar.

No entanto, a previsão dos especialistas de mercado da Conab é de que as cotações internacionais devem cair, em função do bom andamento do plantio no Brasil e do aumento dos estoques nos Estados Unidos.

Conforme a Conab, em Minas Gerais, até o dia 6 de novembro, a semeadura da oleaginosa estava em 63%.

Milho - A safra total de milho do Brasil 2021/22 foi estimada em 116,7 milhões de toneladas, com ligeiro ajuste ante os 116,3 milhões da previsão anterior, mas com aumento de 34,1% ante o ciclo 2020/21, quando a seca e geada afetaram as produtividades.

Para a primeira safra do grão, a Conab aumentou a estimativa de plantio para 4,457 milhões de hectares, representando um aumento de 2,5% em relação à safra 20/21. Já a produção foi projetada em 28,6 milhões de toneladas, patamar maior do que as 28,327 milhões de toneladas estimadas em outubro e 15,7% superior em comparação ao exercício anterior.

Os especialistas da Conab ressaltaram que as condições climáticas causaram uma quebra na produção do milho de primeira safra no ciclo 20/21 e continua afetando, porém em escala menor, a safra atual. Conforme o levantamento, em Minas Gerais, a semeadura do milho de primeira safra já chega a 58%.

Algodão, arroz e feijão - O algodão teve ampliação de 9,3% na área a ser semeada, chegando a 1,49 milhão de hectares. Já  produção de arroz teve crescimento de 0,3% na área a ser semeada e previsão de 11,5 milhões de toneladas.

De acordo com a Conab, para o feijão, somando-se os tipos cores, caupi e preto, a estimativa é de 3,6% a mais na produção da primeira safra, totalizando 1 milhão de toneladas, com as três safras estimadas em 3,1 milhões de toneladas. No caso do trigo, a safra 2021 ainda está sendo colhida e o volume de produção previsto atualmente é de 7,68 milhões de toneladas. (Com Reuters e ABr)

IBGE prevê 270 milhões de toneladas - A primeira estimativa para a safra agrícola de 2022, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevê a produção de 270,7 milhões de toneladas de grãos, cereais e leguminosas.

De acordo com o instituto, se os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) forem confirmados, será um recorde da série histórica, iniciada em 1975, com um aumento de 7,8% em relação às estimativas deste ano, o que representa 19,5 milhões de toneladas a mais.

A expectativa do IBGE é que a produção seja puxada pelo milho, após uma queda grande na safra do grão deste ano, por causa do atraso do plantio da segunda safra e da falta de chuvas nos principais estados produtores. Para 2022, a previsão é de alta de 11,1% para a primeira safra, com 2,8 milhões de toneladas, e de 26,8% para a segunda safra, com 16,2 milhões de toneladas.

Segundo o gerente da pesquisa, Carlos Barradas, além da previsão de normalidade climática para o próximo ano, a alta do dólar incentiva os produtores de commodities. “Outra razão para a perspectiva de recorde diz respeito à questão econômica. Apesar do aumento dos custos de produção, os preços das commodities agrícolas como milho, trigo e soja estão altos, ajudados pela valorização do dólar, fazendo o produtor aumentar o plantio e investir mais nessas lavouras”, explica.

O instituto prevê crescimento de 0,8% na produção de soja, com 1,1 milhão de toneladas a mais; de 2,4% no algodão herbáceo em caroço, com 84,9 mil toneladas, 12,8% no sorgo, com 302,4 mil toneladas; 6,9% no feijão primeira safra, com 80,9 mil toneladas, e aumento de 9,8% no feijão segunda safra, com previsão de 101 mil toneladas.

Por outro lado, a pesquisa estima quedas nas produções do arroz, de 3,9% ou 451,6 mil toneladas; do feijão terceira safra, de 0,9% ou 5,1 mil toneladas, e do trigo, de 10% ou 785,8 mil toneladas.

2021 - A pesquisa do IBGE aponta que a estimativa de outubro para a safra de 2021 é de 251,2 milhões de toneladas, o que representa 1,2% ou 3 milhões de toneladas a menos do que a obtida em 2020, quando a produção de grãos, cereais e leguminosas no país chegou a 254,1 milhões.

A área a ser colhida deve aumentar 4,6% este ano, alcançando 68,5 milhões de hectares. Somados, o arroz, o milho e a soja representam 92,5% da estimativa da produção do país e respondem por 87,6% da área a ser colhida.

Na produção deste ano, o IBGE aponta aumento de 10,3% para a soja e de 4,5% para o arroz em casca. Por outro lado, a previsão é de queda de 17,5% no algodão herbáceo e de 16% no milho, sendo 2,8% a menos na primeira safra e 20,6% de queda na segunda.

A produção de soja deve chegar a 134,1 milhões de toneladas e o milho 86,7 milhões de toneladas, sendo 25,9 milhões de toneladas na primeira safra e 60,9 milhões de toneladas na segunda safra. A produção do arroz foi e estimada em 11,5 milhões de toneladas e a do algodão em caroço em 5,8 milhões de toneladas.

Armazenagem – A capacidade disponível de armazenagem agrícola no Brasil atingiu 180,6 milhões de toneladas no primeiro semestre deste ano, volume 2,5% superior ao do período anterior. O número de estabelecimentos de armazenamento cresceu 2,5% em relação ao segundo semestre de 2020, e o maior número deles está no Rio Grande do Sul (2.112), seguido por Mato Grosso (1.363) e Paraná (1.334). (ABr)

As informações são do Diário do Comércio.