Oferta interna limitada e preços atrativos mantêm importações de lácteos em alta

22-11-2021 09:59:37 Por: Munira Nasrrallah e Juliana Santos, Boletim do Leite Cepea

Oferta interna limitada e preços atrativos mantêm importações de lácteos em alta
Apesar dos altos patamares do dólar, a média da taxa de câmbio em outubro foi de R$ 5,54, dados da Secex mostram que, de setembro para outubro, as importações de lácteos aumentaram 15,4%, totalizando 12,2 mil toneladas. O aumento das compras de derivados no mercado internacional esteve associado à oferta ainda restrita de matéria-prima no País e também à diminuição do preço médio negociado, sobretudo da categoria de leite em pó – produto responsável por quase 53% das aquisições brasileiras no mês.

As importações de leites em pó somaram 6,4 mil toneladas, 22% superior ao volume adquirido em setembro/21. Os países responsáveis pelas vendas do derivado foram Argentina (56%), Uruguai (39%) e Paraguai (4,6%), com preço médio de US$ 3,31/kg –5% abaixo do registrado no mês anterior (US$ 3,48/kg).

Em seguida, destacam-se as importações dos queijos que, apesar de terem recuado 2,1% em outubro, tiveram participação de 25% do total adquirido, com a Argentina responsável por 74% das vendas para o Brasil negociado a US$ 5,28/kg - 15% acima frente a set/21.

As exportações brasileiras, por sua vez, somaram 2,2 mil toneladas em outubro, volume 15,6% abaixo do verificado no mês anterior – esse cenário de retração vem sendo observado desde julho/21. Os embarques de creme de leite e de leite em pó registraram quedas de 36% e 69% de um mês para o outro, com volumes de 350 toneladas e 7 toneladas, respectivamente.

Para novembro, a expectativa é de um cenário desafiador para a indústria, dado que as cotações dos derivados lácteos no mercado internacional estão em alta – no dia 2 de novembro, os preços negociados no leilão GDT (Global Dairy Trade) registraram aumento de 4,3% frente ao valor de outubro.

Balança Comercial – Com o aumento nas importações de lácteos de setembro para outubro, o déficit na balança comercial subiu 18%, totalizando US$ 37,5 milhões. Porém, com relação ao mesmo período de 2020, o déficit está 37% inferior.