Preço do leite pago aos produtores de MG recua 6,83% em novembro

07-12-2021 09:50:59 Por: Michelle Valverde, Diário do Comércio. Foto: Eduardo Seidl/Palácio Piratini

Preço do leite pago aos produtores de MG recua 6,83% em novembro
Em novembro, o preço do leite registrou nova queda em Minas Gerais. Conforme os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), no 11º mês de 2021, referente à produção entregue em outubro, os pecuaristas receberam, na média líquida, R$ 2,19 pelo litro, valor 6,83% menor que o registrado em outubro. A queda se deve ao menor consumo. Mesmo com a retomada do período chuvoso e maior oferta de pastagem, o que tradicionalmente alavanca a produção de leite no campo, a captação de leite também segue limitada. 

Já em relação ao preço recebido pelos pecuaristas de Minas Gerais em novembro de 2020, o produto ainda registra alta de 8,4% frente à cotação de R$ 2,02 praticada no período anterior. De janeiro a novembro, o valor do litro de leite está 3,7% superior no Estado.

Assim como em Minas Gerais, na média líquida Brasil, o preço do leite captado em outubro e pago aos produtores em novembro recuou 6,2% frente ao mês anterior e chegou a R$ 2,18. Segundo o Cepea, na média Brasil, a retração, em termos reais, chega a 2,5%, a segunda queda consecutiva dos preços no campo. Com o resultado, a variação acumulada em 2021 (de janeiro a novembro) está, pela primeira vez neste ano, negativa, em 5%, em termos reais.

Queda também foi observada na oferta de leite. A pesquisa do Cepea mostrou que, de setembro para outubro, o Índice de Captação Leiteira (Icap-L) recuou 0,87% na média Brasil. Apesar da retomada das chuvas e do aumento das pastagens, a produção no campo não tem respondido devido aos altos custos de produção e à redução dos investimentos no campo. 

A pesquisadora do Cepea Natália Grigol explicou que a queda nos preços, em um período em que a oferta segue limitada, é resultado do menor consumo. “A desvalorização do leite no campo se mostra fortemente atrelada à crescente perda no poder de compra do consumidor, o que tem desacelerado consistentemente as vendas de lácteos desde meados de agosto. Com demanda enfraquecida e pressão dos canais de distribuição, os estoques se elevaram, forçando as indústrias a reduzirem os preços dos lácteos durante outubro”.

Situação desfavorável - A situação do produtor de leite é considerada desfavorável. Conforme os dados levantados pelo Cepea, de janeiro a outubro, o poder de compra do pecuarista frente ao milho, insumo essencial para a alimentação animal, recuou, em média, 29,5%. Se no ano passado, o pecuarista leiteiro precisava de, em média, 33 litros de leite para adquirir uma saca de milho de 60 quilos, hoje são precisos 43 litros para a mesma compra.

“Os preços dos grãos registraram quedas recentemente, mas o patamar ainda está elevado. Outros importantes insumos da atividade leiteira também encareceram de forma intensa, como é o caso dos adubos e corretivos, combustíveis e suplementos minerais”, disse Natália.

No mercado spot do leite, os preços começaram a perder força em outubro, com os valores das negociações, em Minas Gerais, caindo de R$ 2,34 por litro na primeira quinzena para R$ 2,14 por litro na segunda (queda de 8,6%). Esse movimento de desvalorização continuou, e o leite spot chegou à média de R$ 1,96 por litro na segunda quinzena de novembro.

Para o pagamento de dezembro, a tendência é de novo recuo. “Ainda que os custos de produção sigam altos, a expectativa do setor é de que a tendência de queda nos preços se mantenha no mês, ainda influenciada por dificuldades associadas às vendas dos lácteos na ponta final da cadeia”. 

Países islâmicos na mira do Brasil - O Brasil busca negociar novos acordos comerciais que permitiriam diversificar os produtos agrícolas exportados para países islâmicos para além de itens como açúcar bruto, milho e carne de frango, disse um representante do governo brasileiro ontem durante a conferência de negócios Global Halal Brazil em São Paulo.

O secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Flávio Bettarello, disse que o Brasil, como membro do bloco comercial do Mercosul, está em negociações com Indonésia, Líbano e Marrocos para expandir o acesso a esses mercados. “Há uma preocupação em relação aos tipos de produtos exportados e aos destinos”, disse Bettarello.

A Organização de Cooperação Islâmica (OIC, na sigla em inglês), que reúne 57 membros, importou US$ 190,5 bilhões em alimentos como trigo, milho, açúcar, arroz, leite e laticínios em 2020, segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Desse total, o Brasil é responsável por US$ 14,1 bilhões, mostraram os dados.

Bettarello disse que cerca de metade das exportações do Brasil para os países da OIC vai para apenas cinco nações. Ele citou Turquia, Irã, Indonésia, Arábia Saudita e Bangladesh como os maiores importadores do grupo. Ele disse que o Brasil continuará buscando acessar novos mercados e diversificar os produtos vendidos, e citou os benefícios de um recente acordo comercial com o Egito. A mudança reflete o desejo do Brasil de ter uma participação maior no comércio global de alimentos. O País já é o maior exportador e produtor mundial de carnes halal, incluindo carne bovina e de frango, que são produzidas de acordo com preceitos muçulmanos.

Os muçulmanos gastaram cerca de US$ 1,17 trilhão para comprar alimentos em 2019, de acordo com o relatório amplamente citado, State of the Global Islamic Economy Report. Em 2024, os muçulmanos deverão gastar 1,38 trilhão de dólares para comprar alimentos, de acordo com o relatório.

Estados Unidos e a carne – Os Estados Unidos não vão suspender importações de carne bovina do Brasil após o País atrasar relatório sobre preocupações sanitárias, disse o secretário de Agricultura dos EUA, Tom Vilsack, ao site “Político”. Em novembro, a Associação de Produtores de Carne dos Estados Unidos (NCBA) pediu a proibição da entrada do produto brasileiro no mercado norte-americano, após registros de casos atípicos de Encefalopatia Espongiforme Bovina, conhecida como “doença da vaca louca”, no Brasil.

A solicitação do embargo seguiu uma suspensão efetivada pela China, devido ao problema sanitário, o que fez as exportações brasileiras caírem praticamente pela metade em outubro e novembro, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Com o embargo chinês, agora os EUA aparecem como os principais importadores de carne bovina do Brasil, tendo abocanhado fatia de 17,3% em novembro, de um total de 100 mil toneladas, segundo dados da Abiec. (Reuters).

As informações são do Diário do Comércio.