Brasil deve exportar mais carne suína para a Rússia

09-12-2021 09:59:21 Por: Diário do Comércio

Brasil deve exportar mais carne suína para a Rússia
A indústria de carne suína do Brasil se prepara para elevar as exportações da proteína para a Rússia já nos primeiros meses de 2022, apesar da limitação de acesso ao país durante o inverno russo devido ao congelamento das águas em diversos portos. A opção dos exportadores, que recentemente receberam reabilitações de unidades frigoríficas pela Rússia, seria entrar pelo porto de São Petersburgo, disse a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). “Tenho certeza que vai aumentar o volume embarcado em janeiro e fevereiro… porque São Petersburgo não congela”, afirmou o presidente da associação, Ricardo Santin.

Um executivo de uma das principais exportadoras de carnes do País disse à Reuters na condição de anonimato que o movimento tende a começar no primeiro trimestre, mas o impacto positivo, de fato, é previsto para beneficiar a indústria no primeiro semestre do ano que vem.

Santin lembrou que o mercado russo já foi o principal comprador da proteína suína do Brasil no passado, depois reduziu drasticamente as importações por uma estratégia de aposta na produção local e agora retoma um estreitamento na parceria. “A Rússia conseguiu ter autossuficiência neste setor por um período, mas agora tem vários fatores que a levam a buscar o mercado externo. A peste suína africana (PSA), aumento de custo de produção, e também aumento de consumo local”.

Dados da associação indicam que os brasileiros exportaram 259,41 mil toneladas de carne de porco aos russos em 2017. Entre janeiro e outubro de 2021, no entanto, esse volume despencou para 3.827 toneladas.

O Ministério da Agricultura informou em nota que até 2020 havia uma cota da Rússia de 430 mil toneladas para importação de carne suína de qualquer país do mundo com tarifa zero. Em 2020, a cota foi extinta e os russos estabeleceram uma tarifa única de 25%. Mas, na semana passada, disse a pasta, o governo russo anunciou uma nova cota de 100 mil toneladas, sem tarifa, com validade entre 1º de janeiro e 30 de junho do próximo ano. “A tendência é que agora aumente novamente a exportação”, disse o presidente da ABPA, citando que a cota não é exclusiva para o Brasil, porém o País pode ser um dos principais beneficiários.

Pelas estimativas da associação, considerando o atual preço médio de importações para o mercado russo, a cota disponibilizada tem potencial de geração de exportações de mais US$ 200 milhões. O consultor de Agronegócios do Itaú BBA, Cesar de Castro Alves, destacou que também não está descartada a possibilidade de o Brasil embarcar produtos além da cota, a depender da avidez de compras dos russos.

Bovina – O cenário para o setor de carne bovina, que teve em novembro três unidades reabilitadas pela Rússia, pode não ser tão promissor quanto o de suínos. “Para carne bovina eu sou um pouco mais cético, por conta da política que foi adotada na Rússia nos últimos anos, que desestimulou o consumo, então o potencial é menor para compras do que na carne de porco”, disse oconsultor de Agronegócios do Itaú BBA.

O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, disse que a reaproximação com a Rússia se tornou ainda mais importante, visto que a China está temporariamente fora dos negócios com a indústria brasileira.

Vendas de frango somam quase US$ 7 bi - As exportações de carne de frango atingiram 4,198 milhões de toneladas do início do ano até novembro, avanço de 9,08% em relação ao mesmo período do ano passado, caminhando para recorde histórico de vendas, disse ontem a a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A receita das exportações somou US$ 6,944 bilhões até o mês de novembro em 2021, alta de 25,3% no comparativo com 2020, com preços ajudando a impulsionar o faturamento. Apenas em novembro, os embarques totais de frango (considerando a proteína in natura e processada) alcançaram 334,7 mil toneladas, um recuo de 4,5% em relação aos embarques de novembro de 2020. Já a receita avançou 26,9% no mesmo comparativo, para US$ 605,3 milhões neste ano.

“O Brasil se encaminha, de fato, para o recorde histórico nas exportações de carne de frango, muito possivelmente ampliando a distância em volume para os principais concorrentes. Isto reforça o papel do país como importante player em favor da segurança alimentar”, afirmou Ricardo Santin, presidente da ABPA. Os principais destinos de exportação foram Japão e os Emirados Árabes Unidos.

Índia ultrapassa Brasil no comércio com árabes - A Índia ultrapassou o Brasil nas exportações de alimentos para a Liga dos Estados Árabes pela primeira vez em 15 anos, um reflexo da pandemia de Covid-19, que atrapalhou os fluxos comerciais em 2020, segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira obtidos ontem pela reportagem.

O mundo árabe está entre os mais importantes parceiros comerciais do Brasil, mas a distância desses mercados cobrou seu preço, pois a crise sanitária causou falta de contêineres e prejudicou o transporte marítimo, afetando especialmente a movimentação de produtos perecíveis. O Brasil respondeu por 8,15% do total de produtos do agronegócio importados pelos 22 membros da Liga no ano passado, enquanto a Índia capturou 8,25% desse comércio, encerrando a liderança do Brasil de 15 anos, mostram os dados.

Apesar de permanecer competitivo “da porteira para dentro”, o Brasil perdeu terreno para a Índia e outros exportadores como Turquia, Estados Unidos, França e Argentina em meio a interrupções nas rotas tradicionais de navegação.

Os embarques do Brasil para a Arábia Saudita, que antes demoravam 30 dias, agora podem levar até 60 dias, segundo a câmara, enquanto as vantagens geográficas da Índia permitem enviar frutas, vegetais, açúcar, grãos e carnes em uma semana.

As exportações agrícolas do Brasil para a Liga Árabe aumentaram apenas 1,4% em valor, para 8,17 bilhões de dólares no ano passado. Entre janeiro e outubro deste ano, as vendas totalizaram 6,78 bilhões de dólares, um aumento de 5,5%, à medida que os problemas de logística diminuíram, mostraram dados da Câmara.

O esforço da China para aumentar seus próprios estoques de alimentos durante a pandemia também afetou em parte o comércio do Brasil com os árabes, levando países como a Arábia Saudita a intensificar a promoção da produção doméstica de alimentos, enquanto buscam fornecedores alternativos.

“É um ponto de virada. Os sauditas ainda são grandes compradores, mas também já são reexportadores líquidos de alimentos…”, disse a câmara em comunicado.

As informações são do Diário do Comércio.