Produção de lácteos segue em alta e preços, em queda
19-01-2026 16:05:43 Por: CILeite. Foto: istock
A oferta global de lácteos segue elevada nos principais países produtores e exportadores. Argentina e Uruguai, importantes fornecedores de lácteos ao Brasil, apresentaram aumento de produção de leite em novembro de 2025 entre 7 e 8% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o primeiro leilão do ano do GDT apresentou expressiva alta das cotações, que pode ser interpretado como uma correção pontual em um mercado que estava com os preços muito pressionados negativamente.
O cenário internacional segue com muitas incertezas, devido a instabilidades políticas preocupantes na Venezuela e no Irã, além da guerra persistente entre Rússia e Ucrânia. No caso dos lácteos, a expectativa para 2026 é que o crescimento da produção seja mais modesto que o registrado no ano anterior, em consequência de margens de rentabilidade em geral mais apertadas nos elos da cadeia de lácteos.
No Brasil, o cenário macroeconômico segue relativamente estável, com alguns indicadores importantes apontando para a desaceleração do crescimento do PIB. A massa total dos rendimentos alcançou R$ 369 bilhões em novembro de 2025, superando os R$ 352 bilhões observados no ano anterior. A evolução observada, no entanto, foi inferior àquela registrada entre 2023 e 2024. As vendas no varejo apresentaram crescimento modesto, de 2% nos últimos 12 meses. As projeções para o crescimento econômico em 2026 permanecem em 1,8%, um pouco abaixo do desempenho esperado para 2025, em torno de 2,25%.
Os agentes econômicos esperam inflação mais próxima à meta em 2026, ainda que em um ambiente de juros elevados. A eleição presidencial neste ano coloca mais componentes de volatilidade cambial e expectativa de aumento dos gastos públicos. No entanto, o aumento dos gastos públicos e endividamento das famílias têm sido componentes expressivos da alta da atividade econômica, o que levanta preocupação sobre sua continuidade.
A aprovação do Acordo Comercial Mercosul - União Europeia ocorrida em janeiro de 2026 acende as expectativas de crescimento e prosperidade baseados em fluxo mais livre de bens entre as nações, o que beneficia o consumidor. Este acordo, no entanto, ainda precisa ser ratificado pelos países envolvidos.
Se implementado, esse acordo eliminará gradualmente tarifas de importação incidentes em mais de 90% dos produtos comercializados entre os dois blocos. Para os lácteos há previsão de criação de cotas com isenção de tarifas em ambas as direções para leite em pó e queijos, com volumes que não são muito significativos dados os mercados e potencial de produção existentes nos dois blocos. O queijo muçarela ficou fora do acordo e continuará pagando as taxas hoje incidentes para ingressar na União Europeia. De qualquer modo, o mercado de queijos de maior valor agregado pode ser mais impactado por estas medidas. Para a manteiga, haverá uma redução imediata de 30% nas tarifas hoje incidentes nos dois blocos. O setor de lácteos permanecerá relativamente protegido comercialmente em ambos os blocos.
O aumento da produção doméstica de leite e a persistência das importações elevadas, ainda que tenham registrado queda de 6% no ano de 2025, mantêm a oferta de lácteos em alta no curto prazo. Deste modo, os preços seguem mais baixos aos consumidores e produtores. No varejo, os preços de lácteos recuaram 4% em 2025, contribuindo para segurar a inflação do País. Já para o produtor, as quedas foram maiores, prejudicando as margens e finalizando 2025 em um ambiente pior do que se previa. O preço pago ao produtor no final do ano de 2025 recuou para USD 0,40/kg. O mercado spot, posicionado em USD 0,36/kg se aproximou do preço pago ao produtor na Argentina, USD 0,33/kg. Estas cotações sinalizam menor pressão para as importações de lácteos neste momento, que podem continuar diminuindo nos próximos meses, mantidas estas condições.
As informações são do CILeite.

