Com alta em ração, adubos e corretivos, custos avançam por mais um mês

23-03-2026 11:55:38 Por: Giovanni G. C. Penazzi, Boletim do Leite Cepea. Foto: Pixabay

Com alta em ração, adubos e corretivos, custos avançam por mais um mês
Os gastos que produtores de leite têm para executar suas atividades registraram novo aumento em fevereiro, capitaneado pelo avanço nos preços da ração e de adubos e corretivos dentre os estados avaliados pelo Cepea.

O Custo Operacional Efetivo (COE) cresceu 0,32% na “média Brasil” entre janeiro e fevereiro/26. Vale lembrar que essa alta é inferior à observada de dez/25 para jan/26, de 1,32%. O valor referencial é calculado tomando-se por base a média ponderada da produtividade leiteira total dos estados de MG, BA, PR, SP, GO, SC e RS.

Minas Gerais registrou aumento de 0,55% no COE em fevereiro, enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul apresentaram quedas de 0,44% e 0,62%, o que atenuou o efeito da alta nos custos.

Quanto à ração, enquanto em MG houve avanço de 0,5% no custo médio para a compra do concentrado, SC e RS registraram baixas, de 2,62% e 1,29%, nessa ordem. Nesses estados, segundo colaboradores consultados pelo Cepea, a menor demanda pelo concentrado, decorrente das boas condições de pastagens, devido ao bom volume de chuvas, influenciou os recuos.

O grupo de adubos e corretivos, por sua vez, registrou elevação média de 0,55% de janeiro para fevereiro. A competição por fretes marítimos e os impactos diretos de menor disponibilidade de fertilizantes que passam pelo Estreito de Ormuz para chegar ao Brasil devem continuar a influenciar a precificação de fertilizantes para pastagens de inverno em 2026. De forma mais abrangente, os preços de combustíveis também devem impactar o valor de insumos ao produtor devido ao maior custo de fretes rodoviários. Os valores de referência da ANP apontam alta de 11,3% no preço médio do diesel S10 na primeira semana de março frente à média de fevereiro/26.

PODER DE COMPRA – Em janeiro/26, o produtor precisou de 33,56 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho, 3,76% a menos que em dezembro/25 (34,87 litros/sc). No período, o cereal se desvalorizou 2,56% (para R$ 67,84/sc de 60 kg – Indicador ESALQ/BM&FBovespa), enquanto o preço médio do leite subiu 1,25%, a R$ 2,02/litro. Apesar da melhora na relação de troca neste mês, o poder de compra do produtor frente ao cereal ainda está 15,2% acima da média dos últimos 12 meses (29,1 litros/saca).

As informações são do Boletim do Leite Cepea.