Preços do leite sob pressão no início de 2026

26-03-2026 16:40:28

Preços do leite sob pressão no início de 2026
Em março de 2026, a economia do leite no Brasil entra na entressafra com oferta ainda firme e demanda menos dinâmica. No mercado internacional os preços apresentaram valorização recente, mas abaixo do que estavam no início do ano passado. No Brasil, apesar da reação de preços nos primeiros meses de 2026, o quadro é de cotações relativamente mais baixas.

No cenário internacional, a produção mundial de leite cresceu, em média, 1,5% ao ano entre 2022 e 2024, um avanço historicamente modesto. Esse desempenho refletiu um período de relativa estagnação, associado a preços abaixo de um patamar considerado típico, em torno de US$ 0,40/kg em 2023 e 2024. Para fins de comparação com o Brasil, esse valor corresponde a aproximadamente R$ 2,00 por litro, em preço real líquido, a partir da referência mensal do IFCN apresentada na Figura 1.

Após a recuperação observada entre o segundo semestre de 2024 e dezembro de 2025, quando as cotações internacionais ficaram, em média, cerca de 25% acima do período anterior, os preços voltaram a recuar no mercado externo. O aumento da oferta nos principais exportadores, somado ao menor dinamismo da demanda, reduziu o suporte das cotações e levou a referência internacional novamente para perto de US$ 0,40/kg no início de 2026.

Oferta elevada na entrada da entressafra - No Brasil, a produção respondeu ao ambiente mais favorável observado ao longo de 2024 e 2025. A captação de leite inspecionado cresceu 8,5% na comparação com 2024. Esse avanço ampliou a disponibilidade de matéria-prima e contribuiu para o recuo dos preços ao produtor, que finalizou 2025 em patamar historicamente baixo. Ao mesmo tempo, a maior convergência entre os preços domésticos e a referência internacional, observada desde dezembro de 2024, tende a reduzir parte do estímulo às importações, ainda que o mercado interno siga relativamente abastecido.

Pelo lado dos custos, o quadro permanece relativamente favorável no curto prazo. Os bons níveis de estoque de milho e soja, deixa o cenário de abastecimento relativamente tranquilo. Ainda que existam incertezas devido ao atraso no plantio da safrinha, o ambiente ainda segue favorável, com menor pressão negativa sobre as margens da atividade leiteira.
No entanto, permanecem fatores de atenção sobretudo vindo do cenário externo, após a guerra EUA-Irã. Isso vem causando maior preocupação dos Banco Centrais ao redor do mundo, com possíveis reflexo negativos sobre inflação, taxa de juros e crescimento econômico. No Brasil, altas em combustíveis e fertilizantes já são observadas, com potencial de pressionar a rentabilidade do agronegócio mais à frente.

Consumo perde ritmo e limita reação dos preços - O principal sinal de alerta, porém, vem da demanda. Apesar de indicadores ainda positivos de renda e emprego formal, o consumo de lácteos segue fraco, em um contexto de altas taxas de juros e elevado endividamento das famílias. Esse movimento aparece de forma clara no mercado de leite UHT, que perdeu muita margem ao longo do ano passado e que somente agora vem apresentando alguma recuperação.

A síntese conjuntural de março aponta, portanto, para um setor que ingressa na entressafra com espaço ainda limitado para reajustes expressivos de preços, a exemplo do que vem ocorrendo no mercado de leite Spot. A sazonalidade tende a favorecer alguma recuperação ao produtor nos próximos meses, mas essa reação precisa ter suporte no consumo. O que ainda está incerto neste momento. O mercado de leite no Brasil segue, assim, operando com margens mais estreitas, em um ambiente que exige atenção simultânea à competitividade da produção, ao ritmo da demanda e ao comportamento do mercado internacional.

As informações são do CILeite.