Alta dos custos agrícolas impacta COE da pecuária leiteira
23-04-2026 16:19:26 Por: Victoria R. Paschoal e Sérgio P. Lima, Boletim do Leite Cepea. Foto: Pixabay
Apesar da estabilidade no preço da ração, a elevação das despesas relacionadas às operações agrícolas impulsionou um aumento de 0,46% no Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira na “Média Brasil” em março. Com o resultado, o primeiro trimestre encerrou-se com uma alta acumulada de 2,11% no COE.
Segundo pesquisa do Cepea, os custos com operações mecanizadas subiram 5,67% na “Média Brasil” em março. Esse avanço esteve diretamente ligado à valorização do diesel. Na categoria de adubos e corretivos, houve alta de 0,42% na “Média Brasil” de fevereiro para março. Mesmo com a valorização do Real, o cenário internacional continua exercendo pressão sobre as cotações das matérias-primas, o que resulta em insumos mais caros para o produtor.
A alta no COE só não foi mais expressiva porque o preço do concentrado ficou praticamente estável em março, com variação de apenas 0,04% na “Média Brasil”. Entre as regiões acompanhadas, o destaque foi São Paulo, onde houve queda de 5,45% nos gastos dessa categoria. Nota-se que a tendência no preço do concentrado divergiu do observado no mercado de grãos em março. Os preços da saca de 60 kg do milho e da soja apresentaram altas de 4,48% e de 2,41%, respectivamente. A cotação média do farelo de soja, por sua vez, recuou 1,2% no mesmo período.
Vale destacar que o primeiro trimestre foi marcado pela cautela nos gastos com a nutrição do rebanho na produção leiteira. Mesmo com a recuperação observada no preço do leite, os produtores ainda demonstram resistência em investir em alimentação, quadro que pode mudar caso o preço do leite se mantenha firme ou volte a subir nos próximos meses.
Essa postura dos pecuaristas pode estar influenciando os preços dos suplementos minerais e proteicos, que, em março, registraram queda de 1,28% na “Média Brasil”. Entre as praças monitoradas, o comportamento foi distinto: BA, MG, PR e RS apresentaram queda nos preços, enquanto GO, SC e SP registraram alta em suas cotações.
PODER DE COMPRA – Em fevereiro/26, o produtor precisou de 31,82 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho, 5,79% a menos que em janeiro/26 (33,56 litros/sc). A melhora no poder de compra do pecuarista está atrelada à valorização pouco expressiva no preço do cereal (0,03%) frente à alta observada no preço médio do leite (6,17%). Apesar da melhora na relação de troca neste mês, o poder de compra do produtor frente ao cereal ainda está 7,8% acima da média dos últimos 12 meses (29,3 litros/saca).
As informações são do Boletim do Leite Cepea.


