Leite ao produtor registra 4ª alta consecutiva

25-06-2026 16:10:36 Por: Ana Paula Negri e Natália Grigol, Boletim do Leite Cepea. Foto: Pixabay

Leite ao produtor registra 4ª alta consecutiva
O preço do leite pago ao produtor subiu em abril/26 pelo quarto mês consecutivo. De acordo com pesquisa do Cepea, a alta foi de 10,4% frente a março, levando a “Média Brasil” a R$ 2,6584/litro. O preço, contudo, ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de abril/26).

O movimento de alta continuou sendo atribuído à redução da produção, em razão da sazonalidade, e ao aumento da concorrência entre os laticínios pela aquisição de leite cru. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) registrou retração de 3,4% entre março e abril na “Média Brasil”. No acumulado do ano, a queda já alcança 14,6%. Além dos efeitos sazonais, a diminuição dos investimentos dentro da porteira também tem limitado a oferta de leite cru.

Em maio, o recuo nos preços de nutrição animal e de operações mecanizadas pressionou os custos da atividade, que registraram a primeira baixa em 2026. De acordo com levantamento do Cepea, o Custo Operacional Efetivo (COE) teve uma queda de 1,39%, em relação ao mês anterior na “Média Brasil”.

Apesar das altas observadas nos últimos meses, tanto no campo quanto na indústria, o movimento de queda dos preços vem ganhando força entre os derivados lácteos. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em maio, o leite UHT recuou 7,56%. Já a muçarela e o leite em pó fracionado apresentaram estabilidade frente a abril. De acordo com colaboradores consultados pelo Cepea, a oferta do produto permaneceu elevada, enquanto a liquidez não acompanhou o mesmo ritmo da produção.

No mercado internacional, as importações voltaram a crescer em maio, após o recuo registrado em abril. Dados da Secex compilados pelo Cepea mostram alta de 3,58% no volume de lácteos importados em maio frente ao mês anterior. Apesar de as exportações também terem crescido com força, registrando expressivos 45% de abril para maio, o déficit em volume da balança comercial aumentou 2,8% neste mesmo período, encerrando o mês em 220,4 milhões de litros EqL.

A partir de maio, o mercado lácteo deve entrar em uma fase mais clara de acomodação e correção de preços, por estar mais pressionado pela combinação entre recuperação gradual da oferta, importações elevadas e enfraquecimento das vendas de derivados. Em maio, o cenário de estabilidade deve prevalecer, com o movimento altista ainda se sustentando no Sudeste, mas com queda no Sul.

As informações são do Boletim do Leite Cepea.