Alta no preço do leite traz fôlego ao produtor, mas exige cautela operacional nos próximos meses

20-08-2026 15:59:44 Por: CILeite. Foto: Pixabay

Alta no preço do leite traz fôlego ao produtor, mas exige cautela operacional nos próximos meses
Por enquanto, melhor que o esperado - Já se foram quase oito meses e o cenário para o setor lácteo brasileiro tem se revelado melhor que o esperado inicialmente para esse período de 2026. Mas é importante cautela nos próximos meses?

Conjuntura global
• Oferta em desaceleração: a oferta global de leite mostra sinais de arrefecimento, com menor ritmo de expansão da produção nos principais países exportadores. Na União Europeia, a desaceleração do crescimento da produção tem sido mais intensa. Movimento semelhante vem acontecendo também na Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Vale ressaltar que a produção mundial não está necessariamente recuando, mas sim expandindo-se a taxas mais modestas. Com o volume de importações chineses ainda relativamente fraco e demanda demanda mundial não muito aquecida, os preços das commodities lácteas registram ligeira desaceleração. O leite em pó integral, cotado no GDT, chegou a atingir US$3.800/tonelada em março e agora está no patamar de US$3.500/tonelada.

• Conflito e as pressões de custo: o conflito dos EUA com o Irã continua sem perspectiva de resolução no curto prazo, gerando volatilidade de preços e aumento dos riscos inflação global. Isso deixa os bancos centrais mais cautelosos, o que significa taxas de juros mais altas por mais tempo. Há pressões de custo em várias frentes como petróleo, fretes, fertilizantes, embalagens, etc.

Conjuntura do Brasil
• O custo pode subir: além das pressões de custo já mencionadas, outro fator de atenção para este segundo semestre é o clima. O relatório do NOAA indica El Niño muito severo, se estendendo até março de 2027. Por enquanto, os fundamentos de oferta estão bons e os estoque confortáveis para ingredientes de concentrado. Mas é preciso monitorar os impactos climáticos na próxima safra de grãos do Brasil e da Argentina.

• Importação segue alta: as importações de derivados lácteos entre março e julho superaram 200 milhões de litros de leite equivalente. A alta competitividade da Argentina na cadeia do leite e uma taxa de câmbio também mais desvalorizada, favorece a importação de derivados lácteos. O Real foi uma das moedas que mais se valorizou ante um cesta de moedas nos últimos dois anos, afetando nossa competitividade.

Preço do leite alto em dólares: essa valorização do real fez com que o preço do leite ao produtor no Brasil, em dólares, ficasse mais elevado, no patamar de US$ 0,54/litro (Figura 1). Na Argentina esse valor está em US$ 0,36/litro. No mercado Spot, o preço brasileiro é de US$ 0,60/litro, estimulando as importações.

Muçarela está segurando os preços: a melhoria nas margens do queijo muçarela levou a uma maior disputa por leite no campo, sustentando os preços ao produto. Como o país conta com inúmeras queijarias distribuídas por todo o território nacional, a compra mais agressiva de leite dessas empresas vem acirrando a concorrência pela matéria-prima. O preço do leite UHT que havia desacelerado em maio, voltou a reagir em junho/julho e também contribuiu para a alta do leite ao produtor.

Ambiente macroeconômico piorando: o cenário econômico está piorando, devido ao alto endividamento das famílias e o mercado de trabalho perdendo um pouco do vigor. O saldo de geração de empregos vem desacelerando, o juro real segue elevado e as previsões indicam o pior crescimento do PIB dos últimos 5 anos. A crise no varejo, com aumento de recuperações judiciais é um exemplo. A demanda por lácteos segue limitada e a sustentação de preços está muito atrelada a um ajuste negativo de oferta, que atravessa o período de entressafra. A aproximação do período de safra, junto com as elevadas importações, deve colocar uma pressão baixista nos preços ao longo dos próximos meses, piorando a margem de rentabilidade dos produtores. É importante foca na compra e negociação antecipada de insumos estratégicos e na gestão de fluxo de caixa.

As informações são do CILeite.