Custos de produção e importações em alta desafiam a produção leiteira
19-10-2026 14:47:08 Por: CILeite. Foto: Pixabay
Em outubro de 2026, o mercado lácteo combina expansão da oferta com sinais de alerta. A produção mundial e a brasileira seguem crescendo, embora em ritmo menor; as importações brasileiras atingiram volume recorde em setembro; e os custos de produção voltaram a subir, enquanto os preços pagos ao produtor podem recuar. Diante desse quadro e de uma economia doméstica crescendo em menor ritmo, a perspectiva para o futuro próximo e para 2027 é de cautela.
A produção leiteira brasileira passa por mudanças estruturais em velocidade crescente. Estudo da Embrapa, que considerou o volume e a concentração da produção, identificou 14 grandes bacias leiteiras no Brasil. Embora ocupem apenas 5% do território nacional, essas bacias já respondem por mais de 60% do leite produzido no país. Nelas, a produtividade saltou de 2.453 litros/vaca em 2015 para 3.981 litros/vaca em 2025, valor muito acima da média brasileira, de 2.499 litros/vaca.
O Brasil continua a apresentar crescimento econômico inferior ao de outros países emergentes, como Índia, China e até mesmo Nigéria. Os principais indicadores macroeconômicos permanecem relativamente favoráveis, mas a expansão da economia e do consumo doméstico vem desacelerando, com elevado endividamento das famílias. Esse quadro, somado a uma inflação relativamente mais alta e crescimento da dívida pública, cria um cenário de taxas de juros mais altas, limitando também o crescimento econômico.
A produção de leite mundial mantém trajetória de expansão, embora com menor ímpeto que o observado no passado recente. O crescimento ocorre nas principais regiões produtoras, com destaque para a União Europeia, os Estados Unidos e a Nova Zelândia; no Mercosul, Argentina e Uruguai também vêm registrando aumento da produção, assim como o Brasil. Esse movimento, observado desde o segundo semestre de 2024, sinaliza oferta mais robusta de leite e derivados no mercado internacional, que, até aqui, tem sido absorvida pela demanda externa. Os leilões mais recentes da plataforma Global Dairy Trade (GDT) indicam relativa estabilidade dos preços, mas um indicador chama a atenção: a cotação do leite desnatado segue acima da do integral. Trata-se apenas de uma situação conjuntural ou já de uma mudança estrutural na demanda, com valorização crescente de alimentos proteicos e pouco energéticos? O acompanhamento dessas cotações nos próximos meses responderá a essa questão.
A produção brasileira também segue em expansão, mas há sinais de que seu ritmo tenha arrefecido nos últimos meses. Ao mesmo tempo, as importações avançam: em setembro de 2026, o país importou volume recorde de mais de 243 milhões de litros equivalentes de leite, o que amplia a concorrência com o produto nacional.
Após um período de relativa estabilidade, os custos de produção voltaram a subir, puxados principalmente pelos custos com concentrado em função da alta recente do milho e do farelo de soja. Assim, a tendência é de aperto na margem dos produtores nos próximos meses.
O futuro próximo e o ano de 2027 apresentam desafios importantes. Do lado da oferta, os custos crescentes e a concorrência com os importados, potencializada pela valorização da moeda brasileira, tende a frear a expansão da produção nacional, que alcançou a marca recorde de mais de 100 milhões de litros/dia em 2025. Do lado da demanda, as projeções de menor crescimento econômico e a mudança de hábitos dos consumidores, que tendem a valorizar alimentos proteicos e pouco energéticos, podem dificultar aumentos de preços e a recomposição das margens nos diferentes elos da cadeia e em determinados derivados. O momento, portanto, exige cautela, acompanhamento atento do mercado e gestão cada vez mais eficiente, com busca permanente por inovação na pecuária de leite.
As informações são do CILeite.


