Custos do sistema leiteiro se mantêm estáveis, apesar de alta na nutrição do rebanho

23-07-2026 14:59:51 Por: Victoria R. Paschoal e Sérgio P. Lima, Boletim do Leite Cepea. Foto: Pixabay

Custos do sistema leiteiro se mantêm estáveis, apesar de alta na nutrição do rebanho
O mês de junho foi marcado pela estabilidade no Custo Operacional Efetivo (COE) do sistema leiteiro, com pequeno avanço de de 0,24% na "Média Brasil". No acumulado do 1º semestre, o COE subiu 2,04%. Entre as praças acompanhadas, o maior aumento nos custos foi observado nos estados da BA (3%), GO (2,6%), SP (2,56%) e MG (2,5%) – no PR, a elevação foi moderada (1,31%). Em contrapartida, SC encerrou o 1º semestre praticamente estável, enquanto o RS foi o único estado a registrar redução no COE no período (-0,35%).

Entre os custos com a nutrição do rebanho, o grupo de concentrados apresentou valorização de 0,88% na "Média Brasil", impulsionada sobretudo pelos reajustes observados em MG (1,64%) e SP (2,28%). Nas demais praças, o comportamento foi mais estável, com GO, PR e RS registrando reduções inferiores a 1% em junho.

Apesar da queda observada nas principais matériasprimas utilizadas na fabricação de rações, com o milho em grão apresentando redução de 2,93% e o farelo de soja de 1,6%, o início do período seco elevou a demanda por concentrados, em razão da menor disponibilidade e qualidade das pastagens. Esse cenário sustentou os preços das rações no mês.

O grupo de suplementos minerais e proteicos também foi influenciado pelo aumento da demanda característico desta época do ano. Com a redução da oferta de forragem, cresce a necessidade de suplementação do rebanho, ampliando as compras desses produtos. Além disso, a valorização do dólar frente ao Real elevou o custo de parte das matériasprimas utilizadas pela indústria. Como resultado, a categoria registrou alta de 3,33% na "Média Brasil".

No grupo de insumos agrícolas, o período seco também influenciou o comportamento do mercado. Com a redução das operações de adubação e correção de solo em grande parte das propriedades, a demanda por fertilizantes e corretivos diminui, favorecendo a estabilidade dos preços. Em junho, a categoria apresentou variação de -0,22% na "Média Brasil".

Os custos com operações mecanizadas caíram em junho (-1,59%), refletindo as medidas adotadas pelo governo federal para redução dos preços dos combustíveis, como o diesel, principal componente do custo das operações mecanizadas.

PODER DE COMPRA – Em junho/26, o produtor precisou de 24,65 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho, 3,58% a menos que em maio/26 (25,56 litros/sc). A melhora no poder de compra do pecuarista esteve associada à estabilidade do preço do leite, de 0,12% no período, para R$ 2,66/litro, e à queda de 3,46% no preço da saca de milho, para R$ 65,60. Mesmo com a melhora na relação de troca no mês, o poder de compra do produtor manteve-se abaixo do observado nos últimos 12 meses (28,5 litros/saca).

As informações são do Boletim do Leite Cepea.