Nutrição segue impulsionando custos da pecuária leiteira
22-10-2026 15:01:09 Por: Victoria R. Paschoal e Sérgio P. Lima, Boletim do Leite Cepea. Foto: Pixabay
Em setembro, a alta dos gastos com nutrição voltou a pressionar os custos de produção da pecuária leiteira. O Custo Operacional Efetivo (COE) registrou alta de 0,46% na “ média Brasil”. Entre as praças acompanhadas pelo Cepea, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentaram os maiores avanços do COE no período, de 2,08% e 1,33%, respectivamente. Os preços das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de rações, milho e soja, registraram novas altas em setembro, levando ao aumento de 0,84% do grupo de concentrados na “Média Brasil”.
Dentre as praças acompanhadas, o Rio Grande do Sul apresentou a maior valorização, de 6,04%, contribuindo para a elevação do COE no estado. Em setembro, o milho (Indicador do Milho ESALQ/BM&FBOVESPA) apresentou alta de 4,39%, enquanto a soja em grão (Indicador da Soja Cepea/Esalq – Paranaguá) subiu 7,32%. Já o farelo de soja registrou alta de 13,25%. Esse cenário pode pressionar os custos dos concentrados nos próximos meses, com possibilidade de novos aumentos nos preços das rações em outubro.
Os preços dos insumos destinados à suplementação mineral e proteica também subiram em setembro. Na “Média Brasil”, a alta foi de 0,35%, embora os movimentos tenham sido distintos entre as praças acompanhadas pelo Cepea. Bahia e Goiás registraram recuos nas cotações, enquanto as demais regiões apresentaram valorização.
Os custos com operações mecanizadas voltaram a subir em setembro, com alta de 1,32% na “Média Brasil”. Com a aproximação do período de reforma de pastagens e de produção de volumoso estratégico, a demanda por operações mecanizadas e insumos agrícolas tende a aumentar nas propriedades leiteiras. Nesse contexto, é importante que o produtor acompanhe a evolução dos preços do diesel e dos demais insumos, a fim de planejar as aquisições e reduzir a exposição a possíveis aumentos nos custos ao longo dos últimos meses do ano. Em contrapartida, os grupos de adubos e corretivos e de defensivos agrícolas mantiveram relativa estabilidade nas cotações durante o período.
PODER DE COMPRA – Considerando-se o valor do leite ao produtor de agosto/26 – que subiu 0,38%, passando para R$ 2,89/litro – e o preço do milho, com média de R$ 66,96/sc de 60 kg, o produtor precisou de 23,19 litros para adquirir uma saca do grão, 2,88% a mais que o mês anterior (22,54 litros/sc). Apesar da baixa mensal no poder de compra, a quantidade de leite necessária para adquirir uma saca de milho segue abaixo da média dos últimos 12 meses, de 28 litros/saca.
As informações são do Boletim do Leite Cepea.


