Preço do leite ao produtor fica estável em agosto, mas pressão de baixa aumenta

22-10-2026 15:18:35 Por: Ana Paula Negri, Boletim do Leite Cepea. Foto: Pixabay

Preço do leite ao produtor fica estável em agosto, mas pressão de baixa aumenta
O preço do leite cru captado por laticínios e cooperativas apresentou pouca variação em agosto. Na “Média Brasil” líquida, a cotação atingiu R$ 2,8869/litro, com avanço de 0,7% em relação a julho. Frente a agosto de 2025, o valor foi 9,18% superior em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de agosto).

Apesar da estabilidade das cotações, a produção leiteira mostrou sinais mais claros de recuperação. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) aumentou 3,86% de julho para agosto na “Média Brasil”, com destaque para o Sul do País. A demanda relativamente firme e o desempenho de parte dos derivados contribuíram para sustentar os valores pagos ao produtor, mesmo com o aumento da disponibilidade de leite.

Em setembro, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,46% na “Média Brasil”, pressionado pelo encarecimento dos insumos para alimentação do rebanho. O grupo de concentrados avançou 0,84%, refletindo as altas do milho, da soja e do farelo de soja. Esse movimento pode continuar pressionando os custos da atividade em outubro.

No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos cresceram 8,38% de agosto para setembro, somando 249,6 milhões de litros em equivalente-leite (EqL), enquanto as exportações avançaram 6,05%, para 5,57 milhões de litros em EqL, segundo dados da Secex.

Com o avanço mais expressivo das importações, o déficit da balança comercial aumentou 8,4% frente a agosto. A entrada de produtos importados, sobretudo leite em pó e queijos, amplia a disponibilidade interna e intensifica a concorrência com a produção nacional.

O mercado de derivados lácteos enfraqueceu, com queda nos preços do leite UHT, da muçarela e do leite em pó fracionado. A maior disponibilidade de matéria-prima, impulsionada pela recuperação sazonal da produção, e o avanço das importações contribuíram para esse movimento. Em outubro, as cotações de UHT e muçarela seguem em queda no Sudeste, e a expectativa é de manutenção dessa tendência diante da oferta crescente de leite cru e da demanda estável.

Para os próximos meses, a tendência é de continuidade da queda dos preços ao produtor. A recuperação sazonal da produção, somada à menor sustentação do mercado de derivados, deve manter o mercado pressionado, especialmente diante da maior disponibilidade de matéria-prima. Mais adiante, porém, possíveis efeitos do El Niño sobre as condições climáticas poderão limitar a expansão da oferta e amenizar o ritmo de recuo dos preços.

As informações são do Boletim do Leite Cepea.