Preço do leite cru acumula alta de 17,6% no 1° tri
25-05-2026 16:43:44 Por: Natália Grigol, Boletim do Leite Cepea. Foto: Pixabay
O preço do leite pago ao produtor subiu em março/26 pelo terceiro mês consecutivo, confirmando a expectativa dos agentes de mercado de que a redução na oferta impulsionaria as cotações em intensidade superior à observada nos meses anteriores. Segundo pesquisa do Cepea, a alta foi de 10,5% frente a fevereiro, levando a “Média Brasil” para R$ 2,3924/litro. O preço, contudo, ainda está 18,7% abaixo do registrado em março/25, em termos reais. No primeiro trimestre de 2026, a elevação acumulada é de 17,6% com a média em R$ 2,2038/l, valor 23,6% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado (os valores foram deflacionados pelo IPCA de março/26).
A valorização do leite cru é explicada pelo aumento da concorrência entre os laticínios na compra da matéria prima, já que a oferta seguiu restrita. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,9% de fevereiro para março na Média Brasil, acumulando queda de 11,1% neste primeiro trimestre. O recuo na produção ocorre devido à sazonalidade (que afeta negativamente a oferta de pastagem e eleva os custos com a nutrição animal) e à maior cautela de investimentos na atividade diante de margens mais estreitas ao longo de 2025.
Apesar da relação de troca leite x milho ter melhorado em 6,3% em março frente a fevereiro, os custos com a atividade seguem em alta. Segundo a pesquisa do Cepea, em abril/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 1,1% na “Média Brasil” – acumulando avanço de 3,24% na parcial do ano. A alta esteve atrelada ao aumento das despesas com nutrição, sanidade e operações mecanizadas.
Com a continuidade da menor oferta de leite no campo e os estoques mais ajustados, os preços dos derivados lácteos seguiram em alta no atacado paulista em abril. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em abril, o leite UHT se valorizou 20,17%, a muçarela, 12,65%, e o leite em pó fracionado, 1,52%, frente a março. Na primeira quinzena de maio, porém, o movimento demonstrou perder força e as negociações passaram a refletir uma demanda mais enfraquecida e um mercado mais cauteloso e sujeito às oscilações pontuais nas cotações.
No mercado internacional, tanto as importações quanto as exportações brasileiras de lácteos recuaram em 10% e 28,7%, respectivamente, em abril. Ainda assim, as compras externas estão 34,1% maiores em relação ao mesmo período do ano passado e os embarques, 14% menores na mesma comparação.
A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização em abril, mas esse movimento pode perder intensidade a partir de maio. Isso porque o consumo mostra resistência aos preços mais altos na gôndola, afetando as cotações dos derivados. Ao mesmo tempo, importações seguem sustentadas e existe expectativa de reação da produção – o que eleva a cautela da indústria em realizar novos repasses ao campo entre maio e junho.
As informações são do Boletim do Leite Cepea.


